Papel do líder de inovação é engajar equipe e estimular ideias

por marcel_gugoni — publicado 21/02/2013 16h52, última modificação 21/02/2013 16h52
São Paulo - Cultura e estratégia têm peso sobre a inovação em uma empresa, mas é o líder quem opera a mudança de fato.
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O líder é o maior responsável por fazer a inovação acontecer em uma empresa. É dele o papel de motivar e impulsionar a equipe assim como estimular a geração de ideias e o engajamento dos colaboradores.

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“O líder é aquele que opera a mudança”, afirma Edson Fermann, sócio-consultor de gestão estratégica de inovação da Indexare, que participou nesta quinta-feira (21/02) do comitê aberto de Inovação da Amcham-São Paulo. “Ele é o agente das transformações”,  completa.

Muito embora a cultura e a estratégia da empresa tenham grande peso sobre a inovação em uma companhia, o líder é quem transforma um modo diferente de trabalhar em processos mais eficientes ou leva adiante a ideia de um novo produto para o mercado. “Seu papel é o de estimular ações para tomada de decisões e encabeçar o processo de implantação da inovação na empresa.”

Fermann vê a inovação é diferencial para as empresas em um mundo competitivo. “Antes havia o diferencial da qualidade. Hoje a qualidade é pré-requisito. O mesmo vai acontecer com a inovação.”

Na avaliação dele, quando o assunto é inovação, as empresas se dividem entre as que têm um board inovador sem líderes fortes e inovadores embaixo, e as que desenvolvem equipes inovadoras, mas sem lideranças estimulantes. “As empresas genuinamente inovadoras criam o ambiente e a disseminação da inovação entre os executivos e suas equipes.”

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A ponte é justamente o líder, que para inovar precisa ter uma postura aberta e tolerante para riscos e fracassos, além de ser transparente e se comunicar bem com a equipe. “Inovação é pensar fora da caixa”, reforça. “Por isso, também é imprescindível ser flexível e persistente.”

 Empresa inovadora

Max Leite, diretor de Inovação da Intel, afirma que o perfil do líder inovador é quase igual ao de um empreendedor. “O desafio de inovar é sair do tradicional e isso requer confronto com o risco”, diz.

Para Leite, inovar é diferente de inventar: invenção é algo único, enquanto inovação é algo que, por seu potencial de retorno, é disseminado. “Em torno de 10% do que fazemos seguem o caminho da inovação. A maior parte não continua, mas a inovação falha é um sucesso porque quanto mais aprendemos com erros mais estamos perto de alcançar melhores resultados.”

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A Intel é uma das maiores fabricantes do mundo de microprocessadores e eletrônicos. Uma das primeiras invenções da empresa, o processador Intel 4004 (de 1971) tinha capacidade de 4 bits e cabia entre os dedos. A geração mais nova da Intel é 4000 vezes mais rápida e gasta 5000 vezes menos energia na comparação com o primeiro.

A inovação tem que fazer parte da estratégia da empresa como um todo, diz Fermann. Na avaliação dele, a empresa que busca inovar deve estimular um ambiente aberto de trocas de informações e ideias entre funcionários das mais diferentes equipes e níveis hierárquicos, que seja tolerante aos erros e valorize as sugestões.

“Inovação é business”, defende. Um programa de recompensas e incentivos ajuda a manter a equipe motivada a dar ideias. “E não digo só remuneração, mas coisas inusitadas como cursos e viagens às equipes”, diz. “Isso torna possível o questionamento de velhas ideias por meio da experimentação.”

Plano estruturado

Mas não adianta simplesmente inventar coisas o tempo todo. “É necessário haver um plano de negócio ou de crescimento bem definidos e a empresa deve saber mobilizar recursos internos e externos”, destaca Leite. Isso significa que a inovação deve se basear em metas e seguir um planejamento para ser implementada.

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Com planejamento, as empresas podem até mudar seu plano de negócios e passar a atuar em um ramo diferente ou alterar seu core business. É o caso da Nokia, que surgiu em 1865 como empresa do setor de mineração, entrou no ramo de eletricidade, passou a produzir itens de borracha e plástico e já no fim do século XX era a maior vendedora de celulares do mundo. Mesmo com a inovação, a empresa vê seu market share ameaçado por rivais mais novas como Apple e Samsumg.

Em São Paulo, uma loja de sapatos mudou seu modelo de negócios e tornou-se uma das maiores lojas virtuais de artigos esportivos – a Netshoes. Os dois cases foram citados pelos palestrantes como casos de inovação de sucesso. “O segredo está em sempre pensar fora da caixa”, diz Fermann.

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