Para Febraban, expansão do crédito deve ser de 10% em 2014

publicado 15/08/2014 08h40, última modificação 15/08/2014 08h40
São Paulo – Desaceleração econômica e baixa propensão a gastos são os fatores que mais afetam demanda por crédito
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A Febraban – Federação Brasileira de Bancos – aponta a desaceleração econômica e a baixa propensão de gastos dos consumidores e empresas como os fatores que mais seguram a expansão do crédito bancário em 2014.

No comitê de Finanças da Amcham – São Paulo da quinta-feira (14/8), Jayme Alves, economista sênior da Febraban, disse que o volume de crédito deve crescer em torno de 10% (para R$ 2,98 trilhões), em linha com o piso das estimativas de mercado, que vão de 10% a 12%. Em 2013, a expansão do crédito foi de 14,7%, representando um total de R$ 2,71 trilhões.

“As estimativas têm sido revisadas para baixo, por conta dos níveis menores de confiança do consumidor e das empresas. E além da inflação e os juros altos, temos o processo eleitoral contribuindo para retardar os investimentos”, disse Alves.

Alves também apresentou projeções da entidade para algumas variáveis econômicas. Entre elas, estão:

- Cenário externo

Para a Febraban, a situação das economias desenvolvidas trará contribuição neutra ou moderadamente positiva para o quadro doméstico. “O consenso indica recuperação moderada nos países avançados (melhor nos EUA e pior na Europa) e crescimento chinês dentro do esperado.”

- Produção doméstica

O crescimento tende a ser baixo, com poucas perspectivas de recuperação. “A despeito de certa estabilidade no mercado de trabalho, a piora nos indicadores de confiança é um agravante adicional que posterga os investimentos, reduz a disposição de consumo da população e tem prejudicado a demanda por crédito.”

- Inflação elevada, quase no teto da banda de flutuação (de 6,5%)

No acumulado dos últimos doze meses, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) indica um crescimento de 6,39%, o que está bem próximo do teto da meta (6,5%) do Banco Central. Para a Febraban, isso leva a uma perspectiva de política monetária apertada [restrição da oferta de moeda na economia] e impede o ajuste na taxa de câmbio no curto prazo.

- Déficit em conta corrente em patamar elevado

O saldo das operações comerciais brasileiras com o resto do mundo continuará negativo para o país. Mas há uma tendência geral de estabilização, com a maior parte do fluxo sendo financiada por investimentos diretos, de acordo com Alves.

- Superávit fiscal menor

A economia que o governo faz para pagar os juros da dívida externa está sendo cada vez menor, o que gera desconfiança no mercado financeiro de que o governo cumprirá a meta estabelecida – de 1,9% do Produto Interno Bruto.

- Ajustes estruturais

Alves disse que eventuais mudanças nos gastos públicos não devem acontecer antes das eleições de outubro. “Mas elas precisarão ser realizadas, independentemente do vencedor”, afirma o economista.

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