Pequenas empresas podem aplicar conceitos governança corporativa de forma simplificada e efetiva

publicado 16/06/2011 14h23, última modificação 16/06/2011 14h23
Daniela Rocha
São Paulo - Ao contrário do que se pensa, não são necessárias estruturas caras e complexas, explica sócio da Mesa Corporate Governance.
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As pequenas empresas podem aplicar os conceitos de governança corporativa -  transparência, equidade entre acionistas, prestação de contas e responsabilidade corporativa - de maneira simplificada, porém estruturada e efetiva em termos de ganhos de competitividade. Para isso, devem abandonar a percepção equivocada de que essas práticas são relacionadas às médias e grandes companhias. A orientação é de Luiz Marcatti, sócio e diretor de Gestão da consultoria Mesa Corporate Governance.

“No Brasil, as médias empresas já apresentam uma evolução em termos de governança corporativa. Já as pequenas ainda estão tentando conhecer mais o tema porque no fundo acreditam que está relacionado às maiores. Entretanto, essa estrutura pode ser criada sem a sofisticação de uma organização grande”, disse Marcatti, que ministrou o Workshop de Governança Corporativa promovido pela Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (16/06).

Não existe uma receita para adoção das boas práticas de governança e, nesse sentido, cabe a cada organização descobrir como adaptar os conceitos às suas realidades, explicou.

Caminhos

No caso das pequenas empresas, por exemplo, o primeiro passo é a construção de um acordo de sócios. “Esse acordo, atrelado ao contrato social, deve consistir em uma série de regras que guiarão a relação societária. Normalmente, isso não acontece e, quando há conflitos entre os sócios, há muitas dificuldades para resolvê-los.”

Marcatti destaca ainda a importância de se ter um conselho de administração, que representa apoio importante aos acionistas. Em médias e grandes empresas, esse grupo é formado por um número expressivo de membros, que pode superar dez. Mas nas companhias menores, a articulação pode ser diferente.

“É preciso apenas uma ou duas pessoas de fora que tenham competência e experiência para formarem, junto com os sócios, um fórum de debates sobre estratégias de atuação, discussão sobre resultados e sobre o futuro”, explicou.  O papel do conselho de administração é orientar e monitorar a gestão executiva, levando sugestões e relevantes informações de mercado.

As companhias, independentemente do porte, podem ser transparentes, adotando mecanismos de diálogo especialmente com os colaboradores, o que contribuirá para as trajetórias de evolução e reinvenção em um ambiente competitivo. “A transparência é inerente às empresas que pensam em crescer. Porém, vemos que há diversos casos de proprietários que têm receio de abrir informações e não compartilham nem a estratégia com os funcionários, o que é um erro.”

Vantagens

Via de regra, segundo o sócio da Mesa, as práticas de governança corporativa impactam o modelo de gestão das empresas, que passa a ser mais profissionalizado com a definição das competências adequadas para cada função, adoção de procedimentos claros e implementação de avaliações de desempenho. “A governança leva a uma atuação mais estruturada, sem espaço para ‘achismos’.”

Outro grande ganho com as boas práticas de governança corporativa é a avaliação mais favorável das companhias aos olhos dos investidores. Ao terem acesso a informações sobre as operações e as relações societárias de determinada companhia, os aplicadores poderão mensurar, com maior margem de segurança, o que esperar ao aportarem o dinheiro, já que sempre consideram a relação do risco envolvido e o possível retorno.

“Quando há transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, o conceito de risco é menor. Então, o mercado financiador tende a emprestar mais dinheiro a prazos mais longos, com menores garantias e de modo mais barato”, explicou Marcatti. 

 

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