Pesquisa Amcham: 86% das empresas da cadeia de saúde veem espaço para crescimento do setor

por daniela publicado 24/02/2011 17h13, última modificação 24/02/2011 17h13
São Paulo- Investimentos previstos para 2011 serão destinados a lançamento de novos produtos e serviços, tecnologia aplicada à gestão e qualificação de mão de obra.

Estudo realizado pela Amcham revela que as companhias que fazem parte da cadeia da saúde acreditam que há necessidade e condições para o aumento da representatividade do segmento no País. O setor hoje representa 7% do Produto Interno do Bruto (PIB), com uma movimentação de R$ 300 bilhões por ano.

Para 2011, os planos de investimentos das empresas contemplam principalmente três aspectos: aumento do leque de produtos e/ou serviços prestados (24%);  uso de novas tecnologias para aperfeiçoar a gestão operacional e/ou estratégica da empresa (18%); e ampliação e qualificação do quadro de funcionários (16%). Também há intenções de aportes em projetos de expansão para outras regiões do País (12%); abertura de novas unidades locais (7%); compra de equipamentos e maquinários (7%); aquisição de outras empresas (4%); incremento de iniciativas de Pesquisa & Desenvolvimento  - P&D (4%); e preparação para atendimento da demanda gerada pelos eventos esportivos da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016 (3%). Somente 5% não sabem ou não informaram os passos que serão dados.

A pesquisa Amcham “Um retrato sobre o setor de saúde no Brasil” foi realizada entre os dias 14 e 22/02 junto a 107 executivos de empresas associadas à Amcham de pequeno, médio e grande portes. A amostra é composta por representantes de companhias do setor de saúde, assim como gestores de áreas funcionais de empresas impactadas por temas dessa área. 

“Detectamos que o mercado brasileiro de saúde conta com uma série de vetores de crescimento, como a ascensão de classes sociais e o envelhecimento da população. Assim, as empresas estão apostando em uma série iniciativas inovadoras e está havendo um movimento de fusões e aquisições”, afirmou Mara Lacerda, diretora de Produtos e Serviços da Amcham, nesta quinta-feira (24/02), no Café Setorial de Saúde, realizado na sede da entidade, em São Paulo. O estudo mostra que, ao longo de 2009 e 2010, um terço das empresas já passou por processos de fusões e aquisições.

Os vetores

Diante da melhor redistribuição da renda no País, 71% das companhias tomaram medidas de adaptação ao novo cenário, incluindo linhas de produtos e serviços diferenciadas (28%); alterações nas políticas de preços (20%); implementação de novos canais de vendas (17%) e novas marcas (6%). Porém, uma parcela de 29% dos entrevistados informou que não adotou nenhuma mudança nesse sentido.

O aumento da expectativa de vida e a maior incidência de doenças crônicas também têm levado a uma revisão estratégica, que passa pelo desenvolvimento de novos serviços e produtos (30%) e pelo foco na medicina preventiva (28%) e na customização dos serviços e produtos. Para 16%, esse quadro não influenciará o negócio e apenas 6% não têm planos de investir nesse nicho no momento.

Outro fator que impulsiona o setor é que, recentemente, as empresas constararam que os dias perdidos de trabalho e queda da produtividade pessoal por problemas de saúde custam mais do que os investimentos em programas de bem-estar, que já são realizados por 63% dos consultados.

O turismo de saúde, ainda incipiente no País, beneficia os negócios de 24% das organizações participantes da pesquisa da Amcham e é visto por 72% dos entrevistados como uma área com alto potencial de desenvolvimento, sendo que 38% percebem possibilidades além da medicina estética. 

A intensificação da entrada de empresas estrangeiras no País para atuar em saúde representa para 67% dos entrevistados mais oportunidades para o desenvolvimento do setor. Segundo 27%, esse movimento será responsável pela ampliação da concorrência interna e, na visão de 6% dos respondentes, funcionará como uma alavanca para tornar o País uma referência no mercado global.

Competitividade em foco

A pesquisa da Amcham questionou os principais aspectos que podem impulsionar a competitividade do setor de saúde. As proposições identificadas passam por maior eficiência dos órgãos reguladores (18%); melhoria da gestão do orçamento do governo (13%); e estabelecimento de mais parcerias público-privadas (13%). Outros avanços necessários são a criação de uma política industrial específica (11%); incentivos à inovação (11%); promoção de um ambiente regulatório estável (9%); parcerias de inovação entre universidades e empresas (9%); ações para estimular a indústria nacional (7%); aumento dos repasses de impostos para o setor (6%); assinatura do tratado de Compras Governamentais da Organização Mundial do Comércio (3%); harmonização regulatória com economias mais maduras (3%); e assinatura de tratrados internacionais para eliminar a bitributação (1%).

O empresariado também ressaltou quais são os fatores prioriritários para alavancar a inovação no País. A necessidade de aumento dos estímulos governamentais em Pesquisa & Desenvolvimento foi apontada por 51%. Na sequência, as companhias indicam o incremento das parcerias público-privadas (27%); a melhoria no intercâmbio entre o universo acadêmico e o mercado (16%); a garantia de eficiência nos processos de geração de patentes (4%); e parcerias entre as próprias empresas (2%).

Os entraves mais significativos para a cadeia da saúde no País são a burocracia das agências reguladoras (22%); a corrupção (16%); e a falta de coordenação entre União, Estados e Municípios (16%). Outros obstáculos ao bom andamento dos negócios sinalizados são a regulamentação inadequada (11%); os altos tributos (11%); os encargos trabalhistas previdenciários (10%); a falta de mão de obra especializada (6%); os altos custos com Pesquisa & Desenvolvimento (95%); e a deficiência logística (3%).

Para contornar a escassez de profissionais qualificados no mercado, as empresas passaram a investir  em diversas ações, especialmente programas de capacitação (37%), planos de retenção de talentos (30%) e parcerias com instituições de ensino para auxiliar na profissionalização dos colaboradores (17%).

Governo

Para 59% dos respondentes, o novo governo não conduzirá mudanças no setor de saúde brasileiro, seja em termos de políticas ou investimentos.

Por outro lado, 40% têm uma postura mais positiva, acreditando que o governo poderá aumentar os investimentos em promoção de saúde e prevenção de doenças (21%), considerando a saúde um tema central na Política Nacional de Desenvolvimento (12%) e adotando um novo modelo de gestão (7%).

A Amcham também apurou junto às companhias da cadeia da saúde qual será a posição do governo em relação à Emenda Constitucional 29,  que fixa os percentuais mínimos a serem investidos anualmente em saúde pela União, por Estados e Municípios. Na avaliação de 37%, o governo apoiará a medida. Para 24%, o governo não dará apoio e, para 2%, será contrário. Outros 37% disseram não ter conhecimento sobre o tema para opinar.

Na percepção de 50% das empresas ouvidas pela Amcham, a principal função do governo no segmento é assegurar de maneira eficaz a saúde da população. Para 33%, a atribuição central é estabelecer parcerias com o setor privado para tornar a saúde mais acessível; na visão de 9%, é fiscalizar e regulamentar a atuação da iniciativa privada; e, para 8%, o governo deve ter como foco a definição da Política Nacional de Saúde.

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