Preço atual do petróleo inibe desenvolvimento de fontes renováveis de energia, de acordo com ANP

publicado 19/02/2016 16h04, última modificação 19/02/2016 16h04
São Paulo – Waldyr Barroso (ANP) menciona preço de US$ 80 como ideal; cotação atual está em US$ 30
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O desenvolvimento de fontes renováveis de energia, como a eólica, seria estimulado com o preço do petróleo a níveis bem acima do atual, de acordo com Waldyr Barroso, diretor da ANP (Agência Nacional de e Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.

“Como especialista, vejo modelos de preço indicando um patamar de 60 dólares a 80 dólares como muito bom para fomentar essa indústria, não impactar no recolhimento de impostos e royalties e nem onerar a taxa (de retorno) das empresas”, afirma, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo realizado na sexta-feira (19/2). Atualmente, o preço médio da commodity gira em torno de 30 dólares.

Barroso cita a matriz eólica como uma das fontes que se beneficiariam com o petróleo mais caro. “Nesse cenário, você começa a enxergar as energias alternativas como segmentos a serem desenvolvidos que, amanhã ou depois, poderão ter custos interessantes de comercialização e se tornarem fortes concorrentes do petróleo.”

Até o início de 2014, o preço médio do barril Brent estava em 100 dólares. A queda persistente na cotação do petróleo se deve ao excesso de oferta no mundo causado pelo aumento de estoque da commodity nos Estados Unidos e a desaceleração do consumo pela China. “Nos Estados Unidos, o gás de xisto (shale gas) contribuiu para os estoques elevados. O excesso persistente de oferta gera cenário de incerteza”, afirma.

Otávio Mielnik, coordenador da FGV Projetos, disse que o preço do petróleo em patamares abaixo dos verificados em 2014 se deve à expectativa de aumento de oferta no Irã e de xisto nos Estados Unidos. “No Irã existe um grande contingente de navios petroleiros aguardando o momento de ir a mercado [recentemente, a comunidade internacional encerrou as sanções comerciais ao país].”

Nos EUA, a oferta do petróleo de xisto aumentou em mais quatro milhões de barris entre 2011 e 2014, o que representa 5% da oferta mundial de petróleo. Isso deu uma vantagem considerável aos produtores dessa modalidade. “O xisto garante produtividade elevada e substitui a dinâmica gerada pela Arábia Saudita (uma das maiores produtoras mundiais da commodity)”, afirma o especialista.

Nesse contexto, Barroso disse que a indústria petrolífera tem como desafio criar projetos de exploração mais eficientes e investir em tecnologia para aumentar a produtividade. “Os projetos precisam ser mais eficientes para gerar retorno aceitável aos investimentos.”

Além da busca por eficiência, Mielnik disse que o cenário econômico desfavorável reduz a disponibilidade de crédito e gera tendência de concentração mundial na indústria de petróleo. “O baixo preço do petróleo e o risco elevado de credito aumenta o risco para o setor, comprometendo o custo do financiamento internacional. Com isso, há muitas empresas endividadas, incluindo a indústria petrolífera. As fusões e aquisições talvez sejam a tendência principal que decorre desse cenário.”

Preço da gasolina

Barroso também disse que o preço da gasolina não será ajustado em função da cotação do petróleo. “Todo mundo pergunta por que o preço internacional cai e o da gasolina não. Para alguns derivados (como a gasolina), o Brasil não trabalha com preço internacional, mas tendência de cotação. Então ocorre um atraso na recuperação do preço dos derivados. Mas não há controle de preços.” 

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