Planejamento de malha logística tem que levar em conta aspectos fiscais e eficiência operacional

publicado 18/07/2016 13h26, última modificação 18/07/2016 13h26
São Paulo – Sephora, Vigor e Grupo Pão de Açúcar compartilham experiências na cadeia de suprimentos
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Para o consultor Leonardo Lacerda, sócio de Supply Chain da EY, um bom projeto de malha logística prioriza o equilíbrio no uso de benefícios fiscais, foco no negócio e aproveitamento da rede. “Uma malha logística é afetada por todos esses aspectos, daí a necessidade de se ter uma visão holística. Todos os fatores relevantes que afetam o projeto têm que ser considerados, pois a desatenção em um deles pode comprometer seu funcionamento”, disse, no comitê de Logística da Amcham – São Paulo na quinta-feira (14/7). No encontro, os diretores de supply chain Fábio Gonçalves (Sephora), Darlan José Carvalho (Vigor) e Marcelo Arantes (GPA) compartilharam as respectivas estratégias adotadas na cadeia de suprimentos e distribuição para aumentar a eficiência operacional.

A questão tributária, por exemplo, foi um dos fatores que levou a revendedora de perfumes e cosméticos Sephora a manter um centro de distribuição na região Centro-Oeste, quando boa parte do mercado da empresa se concentra nas regiões Sudeste e Sul. “O motivo de termos um centro de distribuição (CD) em Tocantins é por causa das vantagens fiscais maiores”, justifica Gonçalves. Como boa parte dos custos logísticos vem de tributos, Gonçalves argumentou com os controladores franceses que montar um CD no Centro-Oeste reduziria a despesa, uma vez que os benefícios fiscais da região são superiores aos do Sudeste e Sul. “Montar um projeto de logística sem ouvir especialistas tributários é arriscado”, observa.

 Já no setor de bens de consumo é preciso montar estruturas físicas perto dos mercados de atuação, o que torna a qualidade de serviços logísticos fundamental para a Vigor. “Temos que ter CDs perto de nossos consumidores e nossa malha logística tem que levar em conta o nível de atendimento”, destaca Carvalho.

Entre as estratégias adotadas, estão o compartilhamento de entregas com produtos que não concorrem com a Vigor, redução de custos com frete, concentração de logística em poucos CDs. A redistribuição de roteiros de entrega e aumento de capilarização de entregas em mercados menos concentrados por distribuidores que também são operadores logísticos resultou na diminuição de perdas de produto e fretes menores.

No varejo, a melhoria de serviços logísticos também é um fator crítico. Principalmente na cidade de São Paulo, onde o trânsito excessivo levou o GPA a investir no modelo de mini mercados. “O formato de proximidade tem crescido muito, porque está difícil se locomover em São Paulo”, comenta Arantes.

Para abastecer as lojas desse formato, o GPA criou depósitos menores que CDs para diminuir o raio de distribuição de produtos e garantir o abastecimento mais eficiente das lojas de proximidade, em função do alto volume de produtos fracionados. Para mercadorias de menor rotatividade, as lojas continuam recebendo de CDs e diretamente dos fabricantes.  O modelo de distribuição segmentada ajudou a diluir custos, de acordo com Arantes. “Além disso, ajudou a melhorar o nível de entregas.”

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