PMEs serão um dos principais motores do crescimento nacional nesta década

por marcel_gugoni — publicado 16/02/2012 18h46, última modificação 16/02/2012 18h46
Marcel Gugoni
São Paulo – Brasil tem espaço para transformar ao menos 15 milhões de trabalhadores informais em pequenas empresas.
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Um dos principais motores do crescimento econômico brasileiro nesta década está nas pequenas e médias empresas (PMEs). Esse grupo já representa a grande maioria das companhias do País e pode aumentar ainda mais. Para se ter uma idéia, olhando pelo lado das menores, estimativas mais conservadoras indicam que há espaço para formalizar e transformar em pequenas companhias ao menos 15 milhões de trabalhadores que hoje atuam por conta própria na informalidade, informa Adriano Navarini, diretor de Estratégia e Planejamento Comercial da administradora de cartões Cielo.

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Fazer com que um empreendedor individual seja formalizado e passe a atuar como pessoa jurídica é um caminho que permite a essa nova companhia contratar outros funcionários e gerar empregos, sem contar o benefício de se tornar parceira de outras grandes empresas e abrir caminho a um crescimento mais robusto de seu próprio negócio.

O assunto foi debatido por empresários no seminário Perspectivas Comerciais 2012, realizado na Amcham-São Paulo nesta quinta-feira (16/02), que apontou previsões do crescimento das vendas, das empresas e da economia do Brasil no ano e ainda abordou fronteiras do novo cenário de negócios do País.

Apoiar o crescimento das PMEs é uma das principais fronteiras para essa expansão, afirma Navarini. “Em 2011, muitos que eram PMEs cresceram e passaram a demandar produtos e atendimento diferenciados”, diz. 

O Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) considera micro ou pequenas as indústrias com um até 99 funcionários ou comércios com até 49 cujo faturamento vá até R$ 60 mil (para o empreendedor individual), até R$ 360 mil (microempresa) ou até R$ 3,6 milhões (pequeno porte) por ano. Uma radiografia empresarial feita em 2010 pelo serviço em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) mostrou que os estabelecimentos com essas características representam 99% do total dos registros de pessoas jurídicas no Brasil, somando 6,12 milhões. 

Por definição, as indústrias médias têm entre 100 e 499 funcionários. Acima disso, ela é considerada grande. No comércio e serviços, as médias têm entre 50 e 99 colaboradores. Segundo o Sebrae, há 59,6 mil empregas médias e grandes registradas no Brasil. 

Novos desafios 

José Goulart, diretor de Vendas para o Mercado Público da Sodexo Motivation Solutions, empresa de serviços e benefícios corporativos, avalia que o mercado das PMEs é muito dinâmico e, atualmente, encontra-se mal atendido pelos grandes grupos. 

“Alguns anos atrás criamos a nossa divisão de PMEs, que teve que ser subdividida em mais três divisões”, conta. “Essas empresas não têm tanta regularidade por conta do tempo de vida incerto. Mas o boom que vemos hoje ocorre muito mais nessas pequenas do que nas grandes.” 

O especialista avalia que esse segmento precisa receber mais atenção tanto de prestadores de serviços quanto de fornecedores. “Ele nos colocam desafios que não tínhamos com relação necessidade de crédito, preço e inconstância da compra de benefícios como o vale alimentação para seus funcionários”, ilustrou, em referência ao que constata em seu nicho de atuação. 

Navarini diz que “o próprio comércio eletrônico tem dois ou três grandes empresas”. “Mas temos aí um enorme número de pequenos que têm sites de seus negócios e querem vender seus produtos. Há pouco tempo, formalizavam-se entre 300 mil e 400 mil pequenos empreendedores ao ano. No ano passado, o governo conseguiu a adesão de mais de 1 milhão.” 

Crédito e parcerias 

Jorge Antonio Dib, diretor de Relações com o Mercado da Serasa Experian, concorda que as PMEs são um caminho importante para a expansão da economia, em especial no setor de concessão de crédito, em que ele atua. “As pequenas e médias requerem uma abordagem totalmente diferente” na oferta de serviços de crédito e análise de mercado. 

“Elas crescem rapidamente e mudam na mesma velocidade. Muitas somem em um curto espaço de tempo. Um dos nossos trabalhos é ajudá-las a encontrar espaço para implementação do negócio.” 

Dib afirma que, neste sentido, a diversidade de PMEs obriga as grandes empresas que fornecem artigos ou matérias-primas a se adaptar. 

“O crédito para as pequenas e médias empresas é um segmento com enorme potencial de crescimento”, reforça. 

Sérgio Leme, vice-presidente de Marketing, Vendas e Logística da fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, avalia que, mesmo com as megafusões vistas nos últimos anos (de Casas Bahia e Ponto Frio, de Insinuante e Ricardo Eletro), o varejo ainda tem muito espaço para as PMEs. 

“No interior, há a lojinha familiar que não faz frente [às grandes redes]. Nosso desafio é negociar com esses pequenos, que compram cinco fogões e dez geladeiras por mês, e criar valor nesse segmento. E não dá para entrar neste canal com preços altíssimos.” 

Apoio desde a base 

Navarini, da Cielo, aponta que, além da informalidade, a falta de estrutura e o pouco planejamento são problemas que colocam barreiras para que as pequenas empresas cresçam mais aceleradamente. “Há uma carência até de ajuda na gestão financeira”, analisa, apontando que uma das saídas vistas por sua companhia é fornecer serviços de apoio e capacitação a elas. 

Ele diz que a oferta do serviço de ‘adquirência’ (a captação financeira das maquininhas de cartão) para as pequenas pode servir para atender nichos completamente diferentes e fazê-los se expandir. “Nas cidades do interior, fora dos grandes centros principalmente, vemos uma mudança de cultura com a nossa ida a novos segmentos”, conta. “Estamos conseguindo oferecer máquinas para lojas de carros e motos, que trabalham com um ticket médio alto, até bancas de jornais, que têm um ticket médio baixíssimo”, copleta. 

O especialista prevê que abarcar novos setores pode ser bom para toda a cadeia. “Nos próximos quatro ou cinco anos, esse mercado [de ‘adquirência’ de cartões] deve dobrar de tamanho”, explica. Para a Copa e Olimpíadas, por exemplo, “o taxista é um caminho”. “Por isso temos que investir em solução e treinamento para dar uma máquina de cartão a esses profissionais. Imagine a facilidade que significa pagar uma corrida de táxi com cartão de crédito.”

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