Produtos inovadores surgem quando se pensa de “fora para dentro”, segundo empresário

publicado 23/06/2016 14h04, última modificação 23/06/2016 14h04
São Paulo – Márcio Chaer (Rock Innovation): base da técnica de Growth Hacking é inovação e foco no cliente
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Ao criar um novo produto ou serviço, as empresas terão mais chance de sucesso se “pensarem de fora para dentro”, assinala o empresário Márcio Chaer, fundador das startups Go! Growth! e Rock Innovation. “Há empresas que ainda cometem o erro de querer antecipar uma demanda de mercado, quando o que elas deveriam pensar é em qual problema o consumidor tem e criar um produto baseado nisso”, comentou, no comitê estratégico de Marketing da Amcham – São Paulo na quarta-feira (22/6).

O foco tem que ser no cliente final, reforça Chaer. “Tem um monte de gente numa sala pensando no produto de dentro para fora e o cliente não está lá. E você só vai inovar se fizer o processo de fora para dentro.” Essa é a filosofia do Growth Hacking, metodologia que consiste em reunir uma equipe multidisciplinar para criar um produto ou serviço com uma experiência mais agradável de uso. Quando a experiência é positiva, aumenta a chance de compartilhamento nas redes sociais e isso ajuda a atrair novos usuários.

Para Chaer, ideias de bons negócios não são exclusividade da área de marketing. Por isso, as equipes tem que ser integradas por gente de formações e competências variadas. “Tem que montar times multidisciplinares de verdade. Por exemplo, com um cara de user experience, um programador e outro que tenha atuado em um mercado diferente. O que não adianta é aplicar conceitos inovadores em uma estrutura antiga.”

A equipe tem que ter agilidade para trabalhar, uma vez que o tempo de criação e lançamento deve ser o menor possível. O prazo de três meses é considerado por Chaer o tempo máximo para que um novo produto deva estar no mercado sem que corra o risco de ficar ultrapassado.

Como exemplo, Chaer cita o caso de uma empresa de tecnologia no setor de turismo que estava perdendo mercado porque demorava a lançar novos produtos. Estudando a operação da empresa, descobriu-se que parte dos custos elevados vinha de passagens aéreas mais caras solicitadas de última hora pelos clientes. A ideia de desenvolver um aplicativo que buscasse passagens mais baratas no espaço de um a dois dias foi considerada a mais adequada, mas a criação do programa levaria de seis a dezoito meses.

Para resolver o problema, Chaer organizou um hackathon – maratona de programação onde hackers se reúnem por horas, dias ou semanas para discutir novas ideias e desenvolver projetos – e o produto foi criado em um dia. “O programa ficou pronto no sábado, e na segunda-feira os clientes começaram a usar. Como isso os custos da firma diminuíram.” Focando no cliente e em inovação, o Growth Hacking alia o marketing e o desenvolvimento do produto para oferecer resultados em curto prazo, de acordo com o empresário.

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