Provocar empatia é a melhor forma de combater desigualdade de gênero nas empresas, garante especialista

publicado 27/10/2016 10h26, última modificação 27/10/2016 10h26
São Paulo – Adotar diálogo honesto e aberto é fundamental para companhias que desejam ser inclusivas
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A melhor forma de lidar com a desigualdade de gênero dentro das empresas é usar a empatia. A sugestão é de Elisabet Dennehy, professora da Universidade de Pittsburgh e fundadora da Consultoria Rodriguez Associates, especializada em integração de gênero em empresas. A especialista afirma que impor políticas obrigatórias nas organizações não mobiliza as pessoas a pensar na questão da diversidade. "A neurociência mostra que, quando criamos empatia, as pessoas abraçam com mais felicidade a mudança", explicou, durante o Seminário de Empoderamento da Mulher da Amcham - São Paulo, realizado nesta terça-feira (25/10).

Segundo Dennehy, outro erro que as empresas cometem em tentar combater a desigualdade de gênero é adotar a política de "mordaça" - ou seja, não falar sobre o assunto, com a esperança de que seja esquecido. O que funciona, ela garante, é um diálogo honesto e aberto com os colaboradores sobre o porquê a diversidade nas empresas é importante. "O diálogo deve ser prático, e não acadêmico. A comunicação é mais eficiente se todos entendem", afirma.

Para ela, as mulheres ainda se sentem obrigadas a escolher entre carreira e cuidar da família - ou geram muito sentimento de culpa por priorizar suas carreiras. "Se obrigamos as mulheres a escolherem [entre trabalho e cuidar dos filhos], esse sistema não está funcionando. Isso não deveria acontecer". Por isso, as organizações devem pensar em iniciativas que ajudem a criar um ambiente melhor para mulheres que querem ser ou são mães. A luta por maior tempo da licença paternidade, creches e horários de trabalho mais flexíveis foram algumas sugestões apontadas pela especialista.

A professora ressaltou ainda a importância do envolvimento da alta gestão e dos CEOs no processo de discutir a inequidade de gênero dentro das companhias. "Se as lideranças não estão 100% envolvidas, não há chance de dar certo", pontua.

A especialista cita cinco atitudes relativamente simples que podem ajudar as mulheres a se empoderarem individualmente no trabalho: ser autêntica, comunicar-se com confiança, realizar um networking estratégico, criar uma rede de mentores e promover seu trabalho. "A confiança é um problema que atrapalha as mulheres. Muitas ainda têm medo de se autopromoverem por medo de parecerem arrogantes", lamenta.

Vantagens da diversidade

Nas próximas décadas, cerca de um bilhão de mulheres entrarão no mercado de trabalho – 94% delas em economias em desenvolvimento, segundo Dennehy. Por isso, é cada vez mais importante garantir uma integração entre os gêneros no ambiente corporativo. Além disso, nas empresas com mais equidade de gênero, o faturamento, a experimentação e a eficiência é maior, garante a especialista.

 

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