Quanto mais a empresa fatura, mais tem que afinar a estratégia de compra

publicado 03/03/2016 15h31, última modificação 03/03/2016 15h31
São Paulo – Diretores da Accenture e da Bunge mostram como suas empresas resolvem os problemas
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Com mais de uma centena de unidades pelo país, a Bunge Alimentos passou a executar, em 2013, uma estratégia específica para a compra de frete, um dos elementos prioritários de sua cadeia.

“A compra de frete é estratégica porque é extremamente conectada com o custo de servir e a entrega de nossos produtos”, conta Alexandre Barreto, diretor de Supply Chain da Bunge. Ele participou com José Carlos Roman, Sourcing and Procurement leader Latam na Accenture, do Comitê de Logística na Amcham - São Paulo, quinta-feira (03/05).

A área de fretes soma R$ 500 milhões em compras por ano, segundo o executivo. Todo esse total era contratado diretamente na ponta, por mais de 70 profissionais, em unidades espalhadas pelo país. Para gerenciar melhor o processo, a companhia optou por uma gestão integrada, feita por uma equipe em São Paulo e os colaboradores de outras localidades.

Para Barreto, a decisão uniu processos estratégicos, como a compra de frete de mais de mil transportadores, sem perder o dinamismo e a flexibilidade da atuação na ponta. “Não podemos ter o luxo de não ter a ponta muito rápida”, pondera.

Além da contratação de frete, à equipe central competem planejamento, roteirização diária, monitoramento do transporte e a gestão de tarifas e contratos.

O resultado trouxe influenciou o nível do serviço. “É possível entregar da melhor maneira, pelo menor custo possível. Isso ajuda a potencializar vendas e a estruturar o negócio a médio e longo prazos”, garante.

Impacto no negócio

O impacto no negócio é o principal motivo para haver uma estratégia de compras. A maioria das empresas compra altos volumes, ressalta José Carlos Roman, Sourcing and Procurement leader Latam na Accenture.

“Se a empresa fatura R$ 10 milhões, compra R$ 5 milhões. Em média, o que passa por compras é 50% do negócio, então se discute muito o valor agregado que área pode trazer à companhia”, explica.

Outro ponto que justifica a estratégia é que é melhor a companhia trabalhar o custo porque tem menos domínio sobre a venda, sujeita às mudanças do mercado.

Segundo Roman, poucas companhias sabem exatamente como gastam e não possuem uma base de dados sobre a atividade - e é nessa frente em que se deve agir. “Deve-se entender p perfil dos fornecedores para estudar como lidar com cada um e não ficar na mão de ninguém. É importante ter informações e analisa-las para dedicar a energia certa às negociações”, indica.

As informações devem expor elementos como custo de tributação de cada serviço ou produto adquirido, fretes e o quão crítico cada fornecedor é para o negócio. É necessário, ainda, conversar com as demais áreas do negócio para entender melhor a relevância do contratado para elas.

“Converse com o financeiro para verificar quanto tempo a empresa leva para receber o pagamento e alie essa resposta aos dados de estoque”, exemplifica o consultor.

A estratégia, assim, permitirá à área de compras ser solução e deixar de representar apenas custos. “Se você fizer o trabalho de entender bem os elementos envolvidos em compras, vai saber negociar melhor”, destaca.

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