Empresa que gosta de diversidade será inclusiva com todos os grupos, diz consultor

publicado 01/06/2017 16h25, última modificação 02/06/2017 14h16
São Paulo – Para Reinaldo Bulgarelli (Txai), áreas formadas só por mulheres, gays ou negros não agregam tanta diversidade
comitê gestão de pessoas

Da esq. para a dir.: Andreia Regina (Serasa Experian), Reinaldo Bulgarelli (Txai Consultoria) e Cesar Abramides (Dow Chemical): diversidade é inclusão, e não apenas meritocracia

O consultor Reinaldo Bulgarelli, sócio diretor da Txai Consultoria, considera que o fato de uma empresa promover apenas mulheres para posições gerenciais em determinada área não significa necessariamente que está praticando diversidade. “Quem gosta de diversidade nunca vai querer 100% de nada. Um grupo de ‘só’ não dá certo. Só mulher, só gay, só negro... A ideia da diversidade é ter todos esses olhares”, define, no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo na quarta-feira (31/5).

Andreia Regina, gerente executiva de Sustentabilidade Corporativa, Diversidade e Inclusão da Serasa Experian para a América Latina, e Cesar Abramides, gerente de recursos humanos da Dow Chemical, apresentaram as ações das respectivas empresas em prol da diversidade.

Ter gerentes mulheres comandando uma área inteira pode ser visto com positivo e uma evidência de valorização do mérito. No entanto, é negativo para a causa da diversidade, segundo o consultor. “Se eu for só atrás de profissionais das melhores universidades, posso não necessariamente trazer pessoas que vão me ajudar a cumprir meus negócios com lugares e segmentos diferentes. É claro que é importante ter eles, mas também preciso de quem pega trem todo dia para trabalhar. E desde que todos entreguem suas metas.”

É importante premiar o mérito, mas também é preciso escolher pessoas com experiências diferentes. “Como gestor, tenho que buscar os melhores candidatos. Mas também preciso considerar o meu ambiente. Juntando as duas coisas, o melhor profissional será aquele que trouxer resultado e se conectar ao resto das pessoas, do ambiente e da empresa”, segundo o especialista.

Trabalhar com diferenças significa arejar a empresa, segundo Bulgarelli. “A diversidade traz riqueza muito grande pelo fato de haver negro, PCD (pessoas com deficiência) ou travesti homem ou mulher. A empresa deve buscar não só competências, mas também a contribuição para um olhar mais amplo sobre a realidade.”

Dow e Serasa

Para promover a diversidade, a Dow investe em treinamento de lideranças e contratação de públicos diferenciados. “Todos os líderes são treinados em vieses inconscientes (preconceitos velados) e induzidos a pensar em diversidade”, afirma Cesar Abramides. A empresa também tem parcerias com organizações não governamentais que representam minorias para ampliar os canais de comunicação.

Uma das funções do RH da empresa é recrutar pelo menos um terço de candidatos externos que pertençam a algum grupo de diversidade, seja para analistas a executivos. “No futuro essa prática será mais natural. Mas, no começo, temos que nos forçar a trazer isso como diferencial para a organização”, segundo o executivo.

Na Serasa, a inserção de profissionais de diversidade já é uma realidade, segundo Andreia Regina. Entre eles, PCDs que recebem condições físicas e ergonômicas para executar os trabalhos. “Todos são avaliados conforme critérios de produtividade, e uma coisa que percebemos é que o absenteísmo deles é menor”, avalia. De acordo com Regina, o desempenho profissional deles está em linha com a produtividade da empresa. “Dizer que os PCDs têm desempenho abaixo dos demais é um mito.”

Além de profissionais, a empresa tem procurado desenvolver uma cadeia de pequenos e médios fornecedores formados por públicos de minorias. A parceria está sendo feita com a Integrare, associação empresarial especializada na aproximação de micro e pequenas empresas (MPEs) formadas por empresários de diversidade. “Além de rever essa política, também queremos ser referência de inclusão em outras temáticas de diversidade além de PCDs. Nosso objetivo é acelerar a inclusão de públicos diversos”, segundo Regina.

registrado em: