Realidade Aumentada depende de popularização da banda larga para deslanchar

por andre_inohara — publicado 15/03/2011 09h09, última modificação 15/03/2011 09h09
André Inohara
São Paulo – Tecnologia de computação gráfica que permite visualizar, no celular, elementos virtuais dentro de cenas reais já é usada em marketing.
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Tecnologia revolucionária de comunicação, a Realidade Aumentada (RA) já está sendo usada em ações de marketing, mas seu sucesso comercial ainda esbarra na baixa qualidade da banda larga brasileira.

RA é um ramo da computação gráfica que acrescenta elementos do mundo virtual, como gráficos e figuras, em cenas do mundo real vistas por meio de câmeras de celulares e tablets, ou em videogames.

“Quando a tecnologia de conexão móvel 3G estiver melhor, a RA decolará, pois seu uso é muito simples”, disse Martha Gabriel, escritora e professora da Business School São Paulo e da Universidade Federal do Paraná, que fez palestra sobre novas tecnologias de comunicação na reunião do comitê de Marketing da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (15/03).

Por meio de aplicativos, um usuário de RA pode usar um par de óculos adaptado para captar informações via internet e, além de ver cenas do mundo real, receber imagens geradas por computador.

Dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT) indicam que o número de assinantes de banda larga móvel nos países em desenvolvimento no ano passado era de 5,4 habitantes por grupo de 100. Os países desenvolvidos fecharam 2010 com uma média dez vezes superior, de 51,1 habitantes.

Os dispositivos que possibilitam a conexão entre os dois mundos são as plataformas móveis. “Em Nova York, basta apontar o celular para a rua e surgem setas no visor do aparelho mostrando, por exemplo, qual o metrô mais próximo”, comentou Martha.

RA no marketing

Enquanto a RA não é conhecida pelo grande público, no Brasil ela é utilizada essencialmente para vender imóveis e outros produtos. A incorporadora Rossi Residencial já adotou a tecnologia, para apresentar o prédio comercial Palhano Business Center, em Londrina (PR), em julho de 2010.

Com a RA, a incorporadora exibiu aos clientes uma maquete virtual tridimensional do prédio em tamanho real, vista a partir de um helicóptero. A imagem foi projetada em uma base fixada no solo, por meio de um computador.

O uso dessa tecnologia para as vendas é reflexo de um público cada vez mais digitalizado, disse Martha. “O Brasil é o país que mais acessa a internet (líder em tempo de conexão) e um dos que mais usam as redes sociais. Se as empresas não tiverem estruturas de marketing digital, não conseguirão falar com seus clientes”, assinala.

Leitura de código de barras por celular

Uma das tecnologias mais conhecidas de RA no Brasil é a Quick Response (QR). Com um aplicativo pré-instalado em um celular com câmera, o usuário consegue escanear uma etiqueta com código de barra 2D (segunda dimensão) e receber no visor informações relativas a um cartão de visita, um trailer de filme ou um endereço de internet.

Para ver a mensagem, basta apontar a câmera do celular para onde está o código QR e aguardar, observou Martha. “O código QR é uma tecnologia intuitiva bem mais fácil de usar que o SMS [tecnologia de envio de mensagens entre plataformas móveis].”

Futuro da tecnologia RA no Brasil

A ascensão das classes C, D e E, graças ao aumento de renda, somada a investimentos em telefonia dos setores público e privado, deixam Martha otimista em relação à popularização da Realidade Aumentada.

As operadoras de telefonia têm apresentado planos de assinatura cada vez mais acessíveis, de olho nesse consumidor, e o governo prepara a aprovação do Plano Nacional de Banda Larga, que promete facilitar o acesso à internet das camadas mais populares.

“Tecnologia nenhuma decola enquanto a maior parte das pessoas não tiver acesso a ela”, comenta Martha. “Quando ela se baratear e permitir o acesso de todos, passará a fazer parte do cotidiano.”

 

 

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