Recorde de investidores estrangeiros no Brasil evidencia atratividade dos ativos brasileiros

publicado 20/04/2016 13h22, última modificação 20/04/2016 13h22
São Paulo – Em 2015, foram 504 operações de fusões e aquisições com capital estrangeiro
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A combinação de câmbio favorável e ativos com bom potencial de retorno está atraindo cada vez mais investidores estrangeiros ao Brasil, afirma Nestor Casado, CEO da Capital Invest M&A Advisors. “O timing para a venda de ativos no Brasil está muito bom. Esse é o motivo porque têm mais estrangeiros entrando agora no Brasil do que em toda a série histórica”, disse, no comitê de Energia da Amcham – São Paulo na sexta-feira (8/4).

Citando dados da KPMG de 2015, Casado mostrou que o mercado nacional de fusões e aquisições somou 794 operações, número ligeiramente inferior ao ano passado. Entretanto, 504 delas (63%) foram transações “cross border”, na sua maior parte de investidores estrangeiros, sendo o recorde de toda a série histórica.

O timing a que Casado se refere é formado, entre outros fatores, pelo real desvalorizado, que barateia os ativos brasileiros no mercado internacional, e os fundamentos econômico-financeiros das empresas. “Às vezes se consegue comprar ativos em dólar com deságio de 80% a 90%.”

Além disso, os múltiplos de receita, ebitda e lucro estão em “níveis razoáveis”. “Os ativos não estão necessariamente baratos, mas eles eram mais caros há alguns anos”, acrescenta. A exceção é feita ao setor de energia, que trabalha com contratos de fornecimento de longo prazo. “Os números não mudam com a crise. Mas tem muitas empresas cujos fundamentos estão muito piores que há tempos atrás.”

No setor de energia, o processo de consolidação está mais avançado. Mas isso não quer dizer que as boas oportunidades acabaram. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil vai precisar aumentar em 75 GW (gigawatts) sua capacidade instalada até 2024. Isso representa a metade da capacidade de países como Itália e Espanha, compara Casado.

Para uma boa negociação, Casado disse que a chave é fazer um processo competitivo. “O segredo para comprar barato é analisar com muitas empresas para selecionar as melhores, assim como o segredo para vender caro é fazer um road show com muitos investidores nacionais e estrangeiros e selecionar melhor. Para isso, é necessário contar com um bom assessor financeiro.”

O momento desfavorável da economia afasta investidores, mas Casado disse que quem conhece o Brasil vai encontrar boas oportunidades. “O Brasil é cíclico. Está em um momento ruim, mas vai melhorar e com certeza o Brasil sairá fortalecido. Quem é estrangeiro, sabe disto e tem dólares, investe no Brasil”.

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