Redução do IPI para a linha branca é grande impulso à indústria, acredita executivo da Whirlpool

por marcel_gugoni — publicado 17/02/2012 16h49, última modificação 17/02/2012 16h49
Marcel Gugoni
São Paulo – Fabricante de eletrodomésticos previa avanço nas vendas de 5% em 2012. IPI menor fez projeção subir para algo entre 10% e 15%.
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O gasto das famílias é um componente tão importante do PIB (Produto Interno Bruto) que, à menor ameaça de um esfriamento pesado nos gastos dos brasileiros – muito por culpa da inflação e dos juros em alta –, o governo decidiu incentivar alguns setores diminuindo o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Para a fabricante de eletrodomésticos Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, a medida já surtiu efeito e fez as previsões mais do que dobrarem.

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Sérgio Leme, vice-presidente de Marketing, Vendas e Logística da fabricante, afirma que a medida, anunciada no começo de dezembro, fez a empresa rever suas projeções de venda para 2012 para melhor. Se antes se imaginava um avanço de 5%, agora esse número passou para “uma banda entre 10% e 15%”. Mas a certeza é que esse indicador ficará “nos dois dígitos” em 2012.

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Fogões, refrigeradores, lavadoras de roupa automáticas e semiautomáticas tiveram suas alíquotas reduzidas para 5% a 15%. No caso dos fogões, as alíquotas foram zeradas. A medida está prevista para durar até março. Leme participou nesta quinta-feira (16) do seminário Perspectivas Comerciais 2012, realizado na Amcham-São Paulo, e falou ainda sobre a maturação da nova classe média, que vai culminar em clientes cada vez mais exigentes, e os desafios de transformar a relação com o cliente via internet em uma venda de sucesso.

Veja os principais trechos da entrevista com Sérgio Leme:

Amcham: Os participantes do seminário apostaram em crescimentos de dois dígitos nas vendas em 2012. Qual o número exato da Whirlpool?

Sérgio Leme: Trabalho com uma banda entre 10% e 15%. Esse número era um pouco menor no começo do ano, mas, com o estímulo fiscal de redução do IPI em dezembro para durar até o final de março, só esse crescimento do primeiro trimestre faz o ano sair dos 5% que esperávamos para encostar nos 10% ou um pouco mais.

Amcham: Com a internet, é cada vez mais necessário as empresas aprenderem a se antecipar às necessidades dos clientes por meio do contato pela internet?

Sérgio Leme: Aprendemos com o consumidor a responder de forma mais rápida. Quando rastreamos como o consumidor navega no nosso site, obtemos um padrão do que ele vai ver, em qual produto ele gasta mais tempo, e a partir disso dá para saber quais os aspectos mais interessantes nesses produtos e ainda o que está menos interessante. Quando vendemos diretamente através do nosso site, conseguimos entender, geograficamente, que tipo de lavadora, por exemplo, a região Centro-Oeste compra mais. O consumidor da linha branca pesquisa bastante antes de comprar. Então, a internet não é só um canal para execução da venda. É um canal onde ele pesquisa, olha o produto. Estar bem posicionado nesse canal permite convencer esse consumidor a comprar o seu produto. Ele pode decidir comprar o produto na loja física, claro. Mas, se ele ficou impressionado com a sua presença online, deu-se um primeiro passo na frente do concorrente.

Amcham: Uma das tendências para as empresas é a ideia do Bric (áreas com expansão mais acelerada que a média, em referência ao bloco de países emergentes) dentro do Bric. Qual, para a Whirlpool, é esse novo espaço?

Sérgio Leme: Geograficamente, vejo o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste. Tudo menos Sudeste e Sul. Por produto, temos grandes oportunidades nas categorias de baixa penetração: secadora e lava-louças não têm nem 5% de penetração no Brasil. É menos do que isso. Temos uma fronteira enorme para explorar. O perfil do consumidor vem mudando. Perto de 100% dos lares brasileiros têm geladeira e fogão. Há uma procura maior do consumidor por eletrodomésticos mais qualificados. Há seis ou sete anos, as vendas de refrigeradores frost free [descongelamento rápido] representavam menos de 10%, mas agora estamos perto de 40%.

Amcham: Como a empresa vê o Brasil nos próximos dez anos?

Sérgio Leme: Haverá maturação da classe média, o que vai deixar o mercado mais competitivo. Vários setores devem ganhar maior concorrência, inclusive de estrangeiros, ao mesmo tempo em que o consumidor vai ficar muito mais exigente. Teremos um papel de mídia social e internet muito mais pesado e forte do que é hoje em relação ao consumidor, da pré-venda e do desenvolvimento do produto até o pós-venda. Temos que abraçar essa causa.

Amcham: As empresas reclamam da falta de qualificação da mão-de-obra. Como isso aparece e qual o segredo para reter os talentos e manter a empresa motivada?

Sérgio Leme: Dinheiro não é tudo. Uma pessoa talentosa não deixa o seu emprego por conta do dinheiro, mas pela falta de inspiração, motivação ou inexistência de um clima de trabalho interessante. Atrair e ajudar essa pessoa a desenvolver suas competências dando um ambiente de trabalho interessante baseado nos valores que a empresa prega é uma fórmula para reter gente boa.

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