Setor de RH é fundamental para profissionalizar empresas familiares

publicado 05/08/2013 09h59, última modificação 05/08/2013 09h59
Porto Alegre – Departamento pode desenvolver ações para integrar funcionários às mudanças na política da companhia
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Quando se fala em governança corporativa dentro de organizações familiares, o primeiro investimento que precisa ser feito é na área de Recursos Humanos. Isso porque, antes de tudo, é necessário desenvolver uma política bem definida para os funcionários que pertencem ou não à família de acionistas.

Essa preocupação já pode ser vista na prática, segundo Patrice Gaidzinski, que coordena do curso de Empresas Familiares da HSM Educação. Ela participou do Comitê de Gestão de Pessoas, ao lado de Anna Dagila Souza Veiga, gerente corporativa de RH da Brognoli Empreendimentos. O evento, que aconteceu no dia 23 de julho na Amcham-Porto Alegre, trouxe como tema principal de debate a importância do RH para a reestruturação de empresas familiares.

Do ponto de vista prático, as duas palestrantes apontaram como principais ações: comunicação virtual, impressa e interpessoal sobre a política da empresa, coaching personalizado para os líderes, programas de estágio e trainee bem definidos e regras claras para o trabalho e integração de membros da família que controla a organização.

Na maioria das vezes, existe um impasse quando filhos, netos e primos dos acionistas se candidatam a vagas de estágio, trainee ou cargos efetivos dentro da organização. “Existe um incômodo por parte dos outros colaboradores e, por isso, a política corporativa deve ser bem clara”, orienta Patrice Gaidzinski.

Ações do RH
No estado do Rio Grande do Sul, cerca de 90% das empresas são familiares, segundo Gaidzinski. Ela diz que, apesar de ser um tema muito discutido no mundo todo, ainda há muitos líderes que não perceberam que o processo de governança corporativa é a melhor solução estratégica para a gestão de pessoas nessas companhias.

Por isso, as ações do RH são fundamentais para fazer com que todos os profissionais entendam a política da empresa e o que precisa mudar. “O RH deverá mediar os interesses familiares com os organizacionais para garantir que os melhores profissionais preservem a cultura e conquistem novos horizontes”, diz Anna Dagila, que faz parte da Brognoli Empreendimentos.

A política da companhia precisa estar clara para todos na organização. Por isso, o RH pode desenvolver e-mails e comunicados na intranet que expliquem as normas definidas para os funcionários. Além disso, estimular, nos momentos e espaços de integração, pequenos avisos sobre a política da casa.

Anna Dagila aponta algumas perguntas que o setor de RH precisa responder, antes de desenvolver suas ações: “O sobrenome tem peso na hora de contratar ou demitir?”, “Existe honestidade no feedback de funcionários que pertencem à família acionista?” e “Todos os funcionários, que fazem ou não parte da família controladora, estão seguindo a política da empresa?”. Se, em alguma dessas questões, a resposta for “não”, é um sinal de que é preciso mudar.

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