Setor privado ainda não aproveita potencial da mão de obra da Lei do Aprendiz

publicado 25/10/2013 18h12, última modificação 25/10/2013 18h12
Recife - Alerta foi dado por especialistas em comitê de Gestão de Pessoas da Amcham
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A Lei da Aprendizagem (10.097/2000), conhecida como Lei do Menor Aprendiz, ainda é encarada apenas como uma obrigação legislativa. Segundo alerta de especialistas presentes em encontro do comitê de Gestão de Pessoas da Amcham-Recife,  as empresas ainda não exploram o potencial da mão de obra proveniente da legislação que determina percentual mínimo para contratação de jovens estudantes no quadro de funcionários da companhia. 
 
“Infelizmente, grande parte das empresas contratam para não serem penalizadas e cumprirem a obrigatoriedade, e acabam perdendo, por exemplo, mão de obra qualificada”, afirmou Vanessa Pedrosa, coordenadora Pedagógica do Senai, uma das palestrantes do encontro promovido pela Amcham. De acordo com ela, é preciso mais seriedade no cumprimento da legislação. “Muitas vezes, o aprendiz é contratado apenas para cumprir a cota e fica perdido na empresa, sem ter função definida. O jovem fica desestimulado com o futuro profissional”, complementa ela. 

Criada há mais de dez anos, a lei sofreu modificações em 2012, tornando-se mais severa e especificando que a cota de aprendizes – que devem que tem entre 14 a 23 anos de idade e frequentando a escola – deve compreender entre 5%, no mínimo, e 15% da força de trabalho. Caso a empresa descumpra a obrigatoriedade, poderá ser multada.
 
No comitê da Amcham-Recife, Patrícia Marinho, coordenadora da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Juventude da Prefeitura de Rio Formoso, localizado na Mata Sul de Pernambuco, discutiu não só o cumprimento da cota, mas também como gerenciar e obter resultados sustentáveis com o programa. “As empresas encaram o projeto com medo e desconfiança. Como os auditores do Ministério do Trabalho são muito rígidos, os gestores acabam prestando mais atenção na dificuldade do que na necessidade de enxergar o potencial dos aprendizes”.
 
Casa da Juventude 
 
No comando da Casa da Juventude de Rio Formoso, território estratégico de Suape, Patrícia desenvolveu e direcionou cerca de 100 jovens para o mercado de trabalho da região. Criado em 2010, o projeto forma aprendizes após um curso de um ano de duração, inclusive os contratados pela Engevix.  “Organizamos visitas pedagógicas e culturais em empresas, um jornal local, oficinas de cinema, programas ambientais, encontros sobre prevenção de doenças e uso de drogas, além de capacitação digital”, contou Patrícia.
 
 Em janeiro, os primeiros jovens formados começaram a ser inseridos no mercado de trabalho. Os principais cargos ocupados foram de eletricistas instaladores e auxiliares administrativos. “A emoção do primeiro dia de trabalho foi incrível. Vê-los com o crachá na mão foi a realização de um sonho”.
 
 Case Engevix 
 
“Onde muitos viam problema, vimos uma oportunidade”, explicou Alderico Barros, gerente de Recursos Humanos da Engevix. Em menos de um ano, a empresa aproveitou cerca de 30 jovens da Casa da Juventude nas atividades da organização.
 
A Engevix, que trabalha com obras e projetos, é um exemplo prático de como reunir o trabalho jovem e a filosofia da empresa. “Conseguimos treinar a mão de obra de acordo com nossa necessidade e rotina. Atualmente, pelo menos quatro jovens do programa que trabalham como auxiliares de elétrica vão seguir carreira na organização”, continuou Alderico.
  
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