Setor privado está otimista com o Brasil no longo prazo

publicado 01/10/2014 11h56, última modificação 01/10/2014 11h56
São Paulo – Caterpillar, Whirlpool, Eli Lilly e TPV falam das expectativas para os próximos anos
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Empresas do setor privado consideram mais as perspectivas de longo prazo do que possíveis mudanças de rumo em um ou dois anos. Estabelecidas há muitas décadas no Brasil, empresas como Caterpillar, Whirlpool, Eli Lilly e Grupo TPV, avaliam que o tamanho do mercado brasileiro e as instituições justificam aumento de investimentos no Brasil.

Mesmo com a estimativa de resultados moderados para o próximo ano, Suely Agostinho, diretora de Assuntos Governamentais e Corporativos da Caterpillar, diz que a empresa está no lugar certo e, num futuro próximo, também estará no melhor momento. “Acreditamos que nosso setor ainda é uma indústria nascente no Brasil. Há um potencial enorme de crescimento”, explicou no seminário Brasil 2015 da Amcham, em 30/09.

Ela defende que a companhia tem tudo para atender as demandas do país, por isso deve seguir investindo na unidade brasileira, a maior da América Latina. Nos últimos quatro anos, foram cerca de R$ 400 bilhões investidos em novas fábricas. “Estamos nos preparando para o que o Brasil precisa: energia, óleo e gás, máquinas, ferrovias”, disse. “Temos dificuldades sim, mas as oportunidades são boas e estamos aqui para acompanhar.”

O Grupo TPV, fabricante taiwanês de televisões e monitores, também continuará investindo na sua atuação no Brasil. “No curto prazo teremos altos e baixos mais intensos, mas no médio prazo os resultados serão positivos” afirmou Bob Lambermont, vice-presidente de Vendas do Grupo, no seminário da Amcham. “O Brasil representa um mercado enorme de consumo e cheio de oportunidades.”

Lambermont conta que os mercados em que atua não estão nos seus melhores momentos, mas espera crescimento significativo. No segmento de televisores, a expectativa da companhia é que as vendas aumentem 50%. Já no ramo de monitores, é estimado um crescimento de 20%. “Temos desafios também, mas continuaremos firmes com o que temos”, disse.

Para a farmacêutica Eli Lilly, o ano de 2015 deve marcar o fim dos baixos números na receita. Orlando da Silva, diretor de Assuntos Corporativos e Regulatórios da empresa e painelista no evento da Amcham, diz que a companhia sofreu com a perda de patentes nos últimos cinco anos, mas deve contornar a situação em breve. “Perdemos muitos produtos de impacto para a receita da companhia. Felizmente não deixamos de investir em novas moléculas. Será um crescimento sustentável, baseado em inovação”, relata.

Silva relembra que os olhos da matriz se viraram para o Brasil recentemente. “Lembro que, em 2005, os mercados emergentes representavam 12% do faturamento da indústria farmacêutica. Em 2016, serão 30%”, diz.

De acordo com Armando Valle, vice-presidente de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Whirlpool, a empresa também está otimista com as operações no país e afirma: “não se pode ser líder no mundo se não é líder no Brasil”.

Valle ressaltou que o crescimento da companhia não será significativo e deverá ser impulsionado pelas vendas de lava-louças, devido ao menor consumo de água, e máquinas para fazer bebidas quentes. “Nos últimos 10 anos, nossas operações no Brasil dobraram de tamanho. Um ano em que não andamos muito bem, como 2014, não é necessariamente catastrófico”, defende.

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