Sucesso da inovação tecnológica depende de foco e envolvimento da alta gestão

por andre_inohara — publicado 21/11/2011 14h47, última modificação 21/11/2011 14h47
São Paulo – Empresas precisam cada vez mais de ideias rentáveis para sobreviver.
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Lançar novos produtos ou processos capazes de agregar valor financeiro e de mercado é cada vez mais crucial para as companhias. Mas, embora a necessidade de inovação tecnológica seja comum para todo tipo de empresa, muitas não conseguem obter os resultados desejados por falta de conhecimento e foco.

“Algumas companhias querem começar um programa tão amplo e envolvente de inovação que qualquer ideia é tratada como se fosse inovação”, disse Ruy Quadros, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que participou do comitê de Inovação da Amcham-São Paulo nesta terça-feira (22/11).

Ele ressaltou que os programas de inovação tecnológica exigem comprometimento da administração, orientação e trabalho com públicos internos específicos.

Inovação versus melhoria

Quando o assunto é inovação, as empresas ainda cometem erros conceituais, como o de não distinguir métodos que levam à criação de novas patentes – resultantes da inovação tecnológica – e os de melhoria contínua, mais ligados a programas de qualidade.

“Muitas acham que pequenos aprimoramentos ou processos típicos de áreas de Qualidade e Produção, como o kaizen (modelo de melhoria contínua), são inovação”, emendou o professor.

Criando um departamento de inovação

Pelo caráter estratégico, o departamento de Inovação deve se reportar à alta gestão, mas se comunicar com áreas diversas - entre elas, as de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), Engenharia, Marketing, Produção e Compras.

Sua estrutura tem de estar voltada para a produção e a viabilização de ideias, ensina Quadros. “As empresas notadamente inovadoras não vivem só de ideias inspiradoras. Elas acabam se estruturando para produzir conteúdo inédito.”

Sem planejamento estratégico de longo prazo, isso não ocorre. Entre as atividades do departamento, é preciso incluir a prospecção de tendências e o gerenciamento de projetos. “A identificação de lacunas tecnológicas dará inicio a novos projetos”, argumentou o professor.

Quando bem organizados, os resultados tecnológicos não demoram a aparecer. “Em dois anos, é possível obter progressos em uma companhia que começou o gerenciamento de projetos e inovação do zero.”

Base em sustentabilidade

Com processos inovadores, as empresas que produzem commodities conseguem ganhos de produtividade e, assim, maximizam seus resultados. Quadros cita Petrobras e Vale como exemplos de companhias altamente envolvidas com novas tecnologias.

“O acesso aos recursos naturais está mais difícil, o que exige pensar em tecnologias novas de exploração e que causem o menor impacto possível ao meio ambiente”, afirmou.

As tecnologias industriais estão sendo pautadas por critérios de respeito socioambiental. “Não é compatível se desenvolver sem se preocupar com os impactos ao meio ambiente”, disse ele.

 

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