Transparência amplia chances de sucesso em recuperação de empresas

por giovanna publicado 04/11/2010 18h38, última modificação 04/11/2010 18h38
Campinas - Lei de Falências prevê envolver todos os interessados no processo.

Com a nova lei de Reestruturação Financeira e Falências (11.101/2005), a recuperação de empresas se alterou. Os credores passaram a fazer parte do processo, inclusive assumindo a gestão do negócio caso acordado entre as partes. Essa maior transparência aumenta as chances de a companhia sair da crise, dizem especialistas que participaram do Fórum de Reestruturação Financeira da Amcham-Campinas nesta quarta-feira (20/10).

 

“Antigamente, a impressão era de que empresa concordatária estava muito mal e quebraria. Agora, é diferente. Há diálogo, transparência entre credor e devedor,” analisou Paulo Guilherme Wyss, executive senior manager da Ernst & Young.

 

Wyss aponta que, embora a lei preveja esforços conjuntos dos envolvidos na recuperação, esse tipo de comportamento ainda não está plenamente disseminado no País. Muitas vezes, a crise corporativa ainda fica circunscrita aos gestores e só vem a público quando a situação se torna insustentável.

 

“A empresa tem de aceitar que passa por problemas antes de fazer a recuperação. Trata-se de uma mudança cultural” afirmou Wyss.

 

Prioridades da lei

 

A mudança na forma de conduzir a reestruturação financeira corporativa se dá porque a lei passou a dar prioridade à manutenção da atividade econômica em detrimento de outros interesses.

 

“O juiz optará por preservar os empregos dos trabalhadores e a continuidade do negócio em vez de proteger particulares”, explicou Fábio Rosas, sócio na área de Recuperação de Empresas do escritório Tozzini Freire Advogados. Wyss completou: “o espírito da lei é: vamos tentar fazer com que a empresa siga em frente”.

 

Rosas hierarquizou as prioridades da lei:

 

  • Manutenção da fonte produtora;
  • Preservação do emprego dos trabalhadores;
  • Interesse dos credores.

 

Modelo

 

Embora ainda incipiente (são apenas cinco anos em vigor), a Lei de Reestruturação Financeira e Falências serve de modelo para muitas nações.

 

“Nessa questão, estamos à frente de muitos países europeus e, sobretudo, da América Latina. Perdemos apenas para os Estados Unidos, que serviram de inspiração para nossa lei”, elogiou Rosas.

 

 

registrado em: