Treinar colaboradores com técnica de jogos será cada vez mais frequente nas empresas

publicado 26/08/2015 15h59, última modificação 26/08/2015 15h59
São Paulo – Modelo de ‘gamificação’ é aplicada não só em RH, mas em diversas áreas
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Uma pesquisa da consultoria Gartner Group revela que até o final de 2015 mais de 70% das maiores empresas do mundo estarão utilizando a gamificação (técnica de aprendizado e engajamento usando mecânica de jogos) para lidar com questões de negócio.

Citando o dado para ilustrar o crescimento da gamificação nas empresas, Mauricio Vianna, CEO da MJV Tecnologia e Inovação, disse que no Brasil a técnica é bastante conhecida na área da RH (que a aplica em recrutamento e seleção), mas seu uso vem se espalhando em projetos de inovação e desenvolvimento de produtos.

“Jogar estimula a socialização e reforça o conceito de aprender fazendo”, disse o executivo, no comitê de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (26/8). Para transmitir conceitos ou atingir um objetivo, a empresa induz os participantes a decifrar, por meio de pesquisa ou prática manual, questões que os credenciam a novos desafios. Cada etapa vencida gera uma recompensa e a continuidade do “jogo”, que é concluído quando o participante assimila o conteúdo proposto no treinamento.

A técnica surgiu como reflexo do hábito característico das gerações mais jovens de jogar recorrentemente os desafios eletrônicos disponíveis em ambiente virtual. Essa interação formou profissionais imediatistas que querem resultados em curto prazo e que logo abandonam os empregos quando, por razões diversas, se sentem desprestigiados. Devido à lógica de desafio e recompensa, a técnica tem adeptos em todas as gerações de profissionais, garante Vianna. “Independente da idade, o jogo socializa e cria ambiente cooperativo.”

Vianna citou vários cases conduzidos por sua agência com a ajuda da gamificação. Um deles foi desenvolvido para a SAP, com o objetivo de criar engajamento. Um desafio chamado de ‘Elemento X’ foi criado, onde os colaboradores do cliente tinham que trabalhar e criar conjuntamente o elemento X que seria a nova fonte de energia para a empresa.

Cada módulo da SAP era um componente que deveria ser montado para formar o ‘X’. Para gerar engajamento, as pessoas precisavam criar vídeos internos para mostrar o que aprenderam e compartilhar com os colegas. “À medida que cumpriam as missões, ganhavam pontos”, segundo Vianna.

Deloitte

Na Deloitte, a gamificação contribuiu para tornar a empresa mais conhecida junto ao público jovem. “Queríamos ser mais atrativos aos olhos desse público e precisávamos comunicar nossos atributos”, segundo Roberto de Brito Sanches, diretor de recursos humanos da Deloitte (confira aqui a íntegra da apresentação).

Para recrutar novas turmas de auditores e consultores, a Deloitte convidava os jovens interessados a navegar na área de recrutamento do site, onde eram desafiados com perguntas sobre a empresa e o que ela fazia. Por meio de um questionário, os jovens eram direcionados para as áreas da empresa que se encaixavam com o interesse e aptidões demonstradas.

Dos quase quatro mil questionários enviados por links aos candidatos em 2014, 86% finalizaram ou estão na fase final. O modelo foi aprovado por 96% dos participantes, o que motiva a empresa a continuar com a técnica, revela Sanches.

“Pensamos em estender conceitos de gamificação ao nosso treinamento entre os colaboradores que estão assumindo cargos de coordenação. Há um conjunto de soluções que incluem desde capacitação dos facilitadores internos, de modo a multiplicar o treinamento, e o jogo está incluído.”

A seguir, a íntegra da apresentação de Roberto Sanches, da Deloitte, no comitê aberto de Gestão de Pessoas da Amcham – São Paulo, na quarta-feira (26/8) :

 

 


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