Turismo no País crescerá o dobro do PIB em 2010 e 2011

por giovanna publicado 22/11/2010 17h10, última modificação 22/11/2010 17h10
São Paulo – Neste ano, projeção de expansão chega a 15%, informa Mário Moysés, presidente da Embratur.
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O turismo brasileiro tem expectativa de crescimento em torno de 15% neste ano, o dobro do projetado para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. A previsão é de o setor mantenha essa proporção em relação à média da economia também em 2011, oferecendo grandes oportunidades de negócios, avalia Mário Moysés, presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo) e secretário executivo do Ministério do Turismo.

“O aquecimento do turismo doméstico e a incorporação do hábito de viagem pelo brasileiro são elementos que contribuíram para a ascensão do setor, mas há outro motor de desenvolvimento turístico, que consiste na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro. Os dois eventos aumentarão a visita de estrangeiros e a circulação de pessoas pelo País. Nesse contexto, é indispensável ficar atento para não perder as oportunidades que possam surgir”, reforçou Moysés durante o comitê de Viagens e Negócios da Amcham-São Paulo nesta segunda-feira (22/11).

Ele revelou que há ainda outros fatores-chave para essa conjuntura favorável, como estabilidade política e econômica, que trouxe mais segurança na programação de investimentos, e mobilidade social com a emergência da classe C.

Conforme o presidente da Embratur, os investimentos voltados ao turismo no País tendem a ser norteados pelos seguintes fatores:

• Ampliação e melhoria de infraestrutura da rede hoteleira nacional, área que, apesar da crise econômica, registrou investimentos estrangeiros diretos significativos nos últimos três anos, em especial na construção de novos hotéis e em processos de ampliação e reforma;
• Aumento da participação de capital estrangeiro nas companhias turísticas, que estão se expandindo para acompanhar o ritmo da demanda. A Trip Linhas aéreas, por exemplo, vendeu 20% do capital à americana SkyWest e o fundo americano de private equity Carlyle comprou 63,6% da CVC Brasil, a maior operadora de turismo no País;
• Inovação em modelos de negócios consagrados, com olhar voltado à classe C, o que tem impulsionado a expansão do turismo e é um nicho com crescente apelo no mercado;
• Desenvolvimento de atividades anexas ao turismo, ou seja, produtos e serviços como eventos, gastronomia, cultura e lazer.

Ele aponta também desafios para o setor:

• Reforçar o turismo doméstico;
• Aumentar o número de visitantes estrangeiros (o Brasil recebeu até setembro cerca de 5,8 milhões de turistas contra 4,8 mi em 2009);
• Contribuir para ampliar a geração de divisas para o País (as receitas cambiais foram de US$ 5,3 milhões em 2009 e a expectativa é que fechem 2010 com um aumento de 10%).

“Não se trata apenas de buscar o crescimento em números, mas o ingresso de recursos com a geração de receita. Isso pode ser buscado através de iniciativas simples, como aumentar a permanência do turista e focar os segmentos que têm potencial de ingresso de investimentos”.

Foco na Copa de 2014

Segundo o Ministério do Turismo, o Brasil receberá aportes diretos do governo da ordem de R$ 20 bilhões em função da Copa de 2014. A distribuição dos recursos será feita com base em eixos estratégicos, direcionados a 65 destinos indutores do turismo, incluindo as 12 cidades-sede do mundial e outros polos de turismo nacional, que serão objeto de projetos de infraestrutura, qualificação profissional dos trabalhadores do setor e reforma do parque hoteleiro. Haverá também promoção da imagem do País no exterior.

Considerando também recursos privados, os investimentos chegarão a R$ 47 bilhões, com estimativa de retorno indireto de R$ 137,7 bilhões. O número de visitantes estrangeiros esperados é de aproximadamente 600 mil, somados aos 3,1 milhões de brasileiros viajando pelo País no período dos jogos. Serão criados perto de 710 mil postos de trabalho nas atividades econômicas características do turismo (dados de estudo realizado pelo Ministério dos Esportes sobre os impactos do mundial).

Moysés lembra ainda que sendo disponibilizadas linhas de crédito aos empreendimentos para se aperfeiçoarem para a Copa. As fontes são variadas, mas vêm principalmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), de Fundos Constitucionais dos Estados e Municípios, de programas de financiamento governamentais como o Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) e de bancos privados.

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