Um mundo novo para empresas: como posicionar a sua marca em meio à pandemia?

publicado 09/04/2020 17h54, última modificação 09/04/2020 17h55
Porto Alegre - Em momentos como este, a responsabilidade social corporativa é o investimento estratégico ideal para superar crises
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De acordo com Rafael Martins, a forma como as marcas lidam com a crise agora pode moldar a opinião dos consumidores sobre ela depois

As incertezas relacionadas à disseminação da Covid-19 estão afetando o comportamento de consumidores em todo o mundo. De acordo com um levantamento da Elo, serviços de entrega, assinatura digital, supermercados e farmácias apresentaram um aumento significativo nas vendas, enquanto lojas de departamentos, vestuário e redes de restaurantes observam um impacto negativo em seus negócios. E como as marcas devem se posicionar durante esse período, com tantas mudanças repentinas no consumo?

“Houve uma explosão de vendas de produtos digitais – tanto de educação à distância quanto de entretenimento –, um aumento no consumo de itens e notícias locais e a criação de uma nova relação com o lar”, avalia Rafael Martins, co-fundador e CEO da Share, durante o Webcomitê de Marketing e Vendas, realizado em 09/04. Além dele, Paulo Kruse, Presidente do Sindilojas POA, também participou do evento e compartilhou quais são suas perspectivas para o varejo.

Frente aos novos hábitos, há um consenso: em momentos como este, quando os clientes estão altamente sensíveis, a responsabilidade social corporativa se torna um investimento estratégico para as empresas. “Nós fomos forçados a experimentar o que antes nunca tínhamos tido tempo e isso trouxe algumas mudanças. A forma como as marcas lidam com a crise agora pode moldar a opinião dos consumidores sobre ela depois”, diz o CEO da Share.

 

A NOVA MARATONA

O que acontece hoje é uma restruturação na ordem econômica global e, consequentemente, no modo de se vender. Para Rafael Martins, uma pandemia cria uma oportunidade sem precedentes para as empresas investirem em reputação, uma vez que suas ações socialmente responsáveis podem pagar exponencialmente em bem social criado, além de gerar ampla atenção favorável da mídia.

Mas isso não é algo simples. Se antes as marcas corriam 100m rasos, focadas em campanhas pontuais e datas comerciais, agora elas participam de uma maratona. “Há uma busca constante por um propósito de marca – e as empresas precisam fazer sua comunicação com base nisso. Isso é algo complexo. Não é uma coisa de poucos meses e seu foco não é só preço, promoção e produto”.

 

O QUE FAZER NA PRÁTICA?

O consumo mudou e um novo mundo foi criado para as marcas. “O cliente agora vai comprar com consciência e somente de empresas que tenham um propósito. A pessoa será o centro de tudo: ou você respeita o indivíduo ou você não pertencerá a esse mundo”, defende Paulo Kruse.

Para garantir um lugar nessa nova realidade, Rafael Martins aconselha criar um plano voltado, especificamente, para o seu papel durante a pandemia. O primeiro passo é definir a proposta de valor do negócio e se perguntar para quais públicos você é capaz de oferecer ajuda. Nesse momento, é necessário também definir em quais canais esse auxílio será oferecido: produtos e serviços, redes sociais, mídia ou canais proprietários.

Com esse mapeamento em mãos, é hora de analisar quais necessidades a marca conseguirá suprir. Há quatro focos principais – físico, que irá garantir segurança; emocional, buscando deixar o público calmo e confortável; financeira, com objetivo de garantir estabilidade; e social – que mobilizará o senso de solidariedade dentro de cada um.

Antes de colocar o plano em prática, Paulo Kruse defende que é necessário conversar com toda a cadeia produtiva para manter a viabilidade financeira da companhia. “Negocie com seus fornecedores e tente manter os contratos. Nós precisamos estar prontos para atender o cliente no retorno das atividades e a reputação de uma empresa vai ser moldada pela forma como ela se comporta com todo o mercado”, diz.

 

APRENDIZADOS PÓS-PANDEMIA

Nas últimas três semanas, de acordo com o CEO da Share, tivemos uma aceleração de processos que equivale ao que aconteceria nos próximos dois anos. Apesar das mudanças, a transição para o trabalho remoto revelou lacunas na infraestrutura de TI, no planejamento da força de trabalho e na capacitação digital de muitas marcas. Quando tudo isso acabar, diz ele, será necessário acelerar ainda mais a transformação digital no país e fazer exercícios de modelagem financeira mais frequentes para evitar impactos econômicos negativos.

Além disso, com a alteração de mercados e modelos de negócio, o olhar atento para o consumidor também deve aumentar. “Os profissionais de marketing têm a oportunidade de liderar o caminho como bons cidadãos de negócios”, afirma Rafael Martins.

 

O QUE SÃO OS COMITÊS ABERTOS?

São encontros e periódicos entre executivos de diversos segmentos voltados para atualização, benchmark e networking. Os Comitês Abertos também são exclusivos para os nossos sócios.

PARA QUEM SÃO?

São para todos(as) os(as) associados sem limites de participantes, sendo encontros gratuitos.

COMO FUNCIONAM?

Temos cerca de 110 comitês em atividade, produzindo conteúdos presenciais* de diversos temas divididos em várias frentes de atuação, com palestras, painéis de discussão e dinâmicas com speakers especializados no tema.

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