'Automaçãozinha'? Robotização de processos vai reduzir 50% da mão de obra nos escritórios, diz sócio da EY

publicado 10/10/2018 10h02, última modificação 10/10/2018 11h44
São Paulo – Segundo Antonio Almeida, economia média de tempo com uso de robôs chega a 40%

A robotização de processos (ou RPA, na sigla em inglês) – uso de software para coletar, interpretar e processar informações – não é só uma ‘automaçãozinha’, argumenta Antonio Almeida, sócio de consultoria da EY.

“Robótica é um problema estratégico. Não pensem nisso como mais uma ‘automaçãozinha’, porque o robô vai ser 50% da sua mão de obra”, disse Almeida, no comitê de Finanças da Amcham-São Paulo na terça-feira (9/10).

Nos escritórios, há cada vez mais softwares de automação de processos – também chamados de robôs – que, programados com algoritmos para executar tarefas rotineiras, levam poucos segundos para cumprir o mesmo trabalho de uma pessoa.

A primeira e segunda geração de robôs executam funções repetitivas, identificam imagens e processam dados não estruturados. “70% dos problemas de negócios se resolvem na primeira geração”, detalha Almeida.

Da 3ª a 5ª geração, há domínio de funções avançadas de análise e algoritmos de previsão e interação humana. “Esses robôs reconhecem voz e imagem, aprendem por meio de inteligência cognitiva e conversam com o usuário via chatbot”, exemplifica.

RPA em Finanças

Os mais usados são para obrigações tributárias (identificam e calculam o pagamento de impostos), conciliação de pagamentos e recebimentos (além de calcular, geram informações de fluxo de caixa) e operações decorrentes do uso de sistema gerencial integrado, lista Almeida. A economia média de tempo é de 30% a 40% nas empresas brasileiras, revela o especialista.

Como exemplo, cita que um robô na área de Tesouraria pode rodar tarefas rotineiras antes de começar o expediente. Em pouco tempo, consegue extrair dados de pagamentos, recebimentos e saldos bancários e gerar um relatório de disponibilidade de caixa.

Às 7h, o programa começa a ser executado. Uma hora depois, o relatório está pronto e a empresa pode ir ao mercado captar ou emprestar recursos. Com uma equipe de funcionários, as mesmas tarefas acabariam horas depois. “Para um trabalho que o funcionário leva três horas, o robô faz em meio minuto”, compara Almeida.

O investimento em RPA é baixo em relação à instalação de sistemas gerenciais, acrescenta. “Quem já implantou SAP, Oracle ou que seja, sabe que o investimento é na ordem de dezenas de milhões de dólares entre custo de software, hardware e consultoria. A licença de um robô, que pode funcionar ininterruptamente em um notebook, tem custo médio de oito mil dólares”, assinala.

Mesmo se uma empresa quiser desenvolver um robô, o gasto estimado é de 300 a 400 mil reais (aproximadamente 100 mil dólares). “É um investimento ainda muito menor que um ERP (sigla em inglês para Sistema Integrado de Gestão Empresarial), com tempo médio de adoção de dois meses para os de primeira geração”, segundo Almeida.