“Precisamos focar nas pessoas quando falamos em smart cities”, diz o Diretor de Transformação Digital da SECTI

publicado 10/09/2020 11h30, última modificação 10/09/2020 11h30
Porto Alegre - Apesar de referências espalhadas pelo mundo, diz ele, as soluções também devem ser individualizadas e adequadas às necessidades dos moradores de cada região
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"Quem consome a cidade são pessoas e elas precisam estar no centro desse planejamento”, diz o Diretor de Transformação Digital da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco

A população mundial deve crescer em 2 bilhões de pessoas, passando dos atuais 7,7 bilhões de indivíduos para 9,7 bilhões em 2050, de acordo com um relatório publicado pela Divisão de População do Departamento da ONU de Assuntos Econômicos e Sociais. Com a explosão populacional e a escassez dos recursos naturais batendo à porta, as cidades acabaram se tornando o foco na busca por soluções tecnológicas que garantam o bem-estar dos cidadãos, crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.  

Mas engana-se quem pensa que a única preocupação de uma smart city é a tecnologia. Antes de apostar nas soluções tecnológicas como grande motor para a construção de uma cidade inteligente, é essencial determinar a forma como tudo e todos estarão conectados. “Quem consome a cidade são pessoas e elas precisam estar no centro desse planejamento”, afirma Claudio Nascimento, Diretor de Transformação Digital da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco, no Amcham SX "Smart Cities: a construção de um novo amanhã"realizado no dia 09/09.

Apesar de referências espalhadas pelo mundo com excelentes indicadores, não há uma fórmula pronta para o desenvolvimento de uma cidade inteligente. As soluções devem ser individualizadas e adequadas às necessidades de cada região – se tratando dos ‘Brasis’ que temos no Brasil, diz Nascimento, a equação se mostra mais complexa ainda. “O que é bom para Recife, não é bom para São Paulo. É por isso que a criação de uma smart city é um trabalho de cocriação, fortalecendo as particularidades de cada região”.  

De acordo com Thiago Piovesan, CEO da Group Indigo Brasil, todo esse processo requer também um esforço conjunto entre cidadãos, poder público e iniciativa privada. “O caminho de smart cities é um caminho sem volta. A iniciativa privada precisa ampliar e se conectar com o governo para, juntos, pensar em soluções”, declara. Além disso, mesmo com a tecnologia e estrutura adequada, não é possível desenvolver uma cidade inteligente sem cultura e pessoas engajadas com a proposta.   

Não é só na construção da cidade que a união deve prevalecer, defendem os especialistas. Uma vez criada, a infraestrutura de qualidade deve ser oferecida para todos, sem distinção de renda. “A filosofia precisa focar primeiro nas pessoas e todos precisam viver na mesma cidade. Hoje em dia, regiões desenvolvidas não são aquelas onde o pobre tem um carro. Cidade desenvolvida é aquela que o rico tem preferência por transporte coletivo também”, conta Mauro Bellini, Presidente do Conselho da Marcopolo.