#AmchamSpark: os cinco pontos que fazem o Vale do Silício ser o berço de inovação tecnológica

publicado 30/11/2017 18h35, última modificação 01/12/2017 08h13
São Paulo – Executivos que participaram da Missão de Inovação da Amcham compartilharam suas experiências no polo tecnológico

A cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA), sempre esteve à frente de seu tempo. O local foi berço dos movimentos alternativos, hippies e LGBT nas décadas de 60 e 70. O pioneirismo cultural mostrava uma cidade cosmopolita, de mente aberta e diversa. Algumas décadas depois, a região seria pioneira mais uma vez: desta vez, na revolução tecnológica. O Vale do Silício, entre as cidades de São Francisco, Palo Alto e Santa Clara, é o berço das gigantes Apple, Adobe, eBay, Google, Oracle, YouTube, Tesla, Netflix e tantas outras. As grandes convivem em harmonia com startups de mais diversos setores e que têm grande potencial de escalada em seus negócios. As inovações que surgem por ali prometem acelerar ainda mais a revolução tecnológica no mercado. A pergunta que fica, olhando tudo que nasceu dali, é: o que faz o Vale do Silício ser o Vale do Silício?

Ana Cecília, CEO da AutoDoc, Antonio Loureiro, CEO da ConquestOne, Luciano Sapata, VP na Sertrading e Marcio Lario, General Manager da Imerys, foram buscar essa resposta durante a Missão de Inovação organizada pela Amcham – São Paulo. Durante o #Amcham Spark, esses empresários relataram o que encontraram e como a ida a baía de São Francisco deu novas ideias para revolucionarem seus negócios.

Importância do networking

Para Ana Cecília, o networking do Vale do Silício “realmente funciona”. E, mais do que no sentido comercial, a rede de pessoas serve para compartilhar experiências e conhecimentos, o que ajuda os empresários a terem novas ideias com base nessa bagagem de outros. Esse mesmo ponto foi ressaltado por Sapata, que colocou a experiência enriquecedora de conhecer essas organizações. 

“O mais importante do Vale é o compartilhamento. Quando a gente ouve as pessoas que moram lá e estão acostumadas com a convivência do Vale do Silício, não entendemos muito bem a história do networking. Quando você tem a oportunidade de viver essa experiência, percebe que essa questão do networking efetivamente funciona. A gente tem no Brasil, mas não é na mesma intensidade da vivência de lá”, conta Ana Cecília.

Ecossistema de inovação

Loureiro enxerga que o Vale do Silício é o berço da inovação pois se sustenta em um ecossistema que incentiva e deixa uma sinergia positiva para a transformação. Isso engloba o mindset de colaboração e recursos vastos para financiar pesquisa. Tudo isso transforma o local como propício para que ali surjam “formas novas de resolver problemas”, segundo o empresário.

Ele ressaltou também a proximidade entre universidades e as empresas, algo que julga ser necessário adaptar para a realidade brasileira, a fim de aproximar as novas ideias e pesquisas que surgem na economia para a iniciativa privada.

Não é só para grandes

Todos os participantes ressaltaram que o Vale do Silício não é só para as grandes corporações. Inclusive, além do número expressivo de startups, os painelistas se surpreenderam com a cooperação entre as grandes e as pequenas. Lario, por exemplo, percebeu que era comum ter uma grande empresa rodeada de várias startups, que traziam agilidade de inovação para a vida prática dos negócios. Um exemplo dado pelo executivo foi a Ford, que tem atualmente um grande centro de pesquisa no Vale do Silício com dezenas de startups. Essa parceria, segundo o executivo, ajuda as empresas maiores a inovar de maneira mais rápida.

Cultura do erro

Outro diferencial ressaltado por Loureiro é a cultura de aceitar e aprender com os erros. Para ele, com grande volume de recursos destinados a inovação, as falhas tendem a ser mais toleradas do que em outros locais. O erro é inclusive valorizado no mundo empreendedor norte-americano. “No final, os profissionais que são postos nesses projetos que não dão certo tem um valor diferenciado porque não vão cometer o mesmo erro novamente”, avalia.

Pessoas como ativos

Algo que saltou aos olhos dos que participaram da missão foi a importância dos colaboradores dentro das organizações, principalmente das gerações mais jovens. Para Lario, os millennials vêm para questionar e fazer a empresa do amanhã. Sapata reafirma que os jovens criam e inventam projetos baseados em “conhecimento acadêmico, networking e ideias fantásticas” – três ingredientes que, se combinados corretamente, são capazes de fazer a inovação acontecer.

registrado em: ,