Anel do Bradesco que substitui cartão de crédito surgiu da inovação aberta

publicado 03/12/2015 15h27, última modificação 03/12/2015 15h27
São Paulo – Bradesco, Braskem, Coca-Cola e Innocentive explicam como captam ideias fora das companhias
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Fernando Moraes de Freitas, gerente de Inovação e Tecnologia do Bradesco, pagou a conta do último restaurante com um anel. Não precisou entregá-lo em troca da refeição, mas o utilizou no lugar do cartão bancário, aproximando-o da mesma máquina de leitura em que são inseridas as tarjetas eletrônicas. O anel, que utiliza a tecnologia NFC (near field communications, ou comunicação de campo próximo, numa tradução livre), foi desenvolvido este ano por uma startup parceira.

Além de Freitas, mais 50 executivos do banco estão testando o anel, também conhecido como “NFC ring”. “No final deste ano ou início do ano que vem vamos tomar decisão se o escalamos e fazemos rollout com cliente ou não”, expõe.

Por fora, é um anel de metal revestido com couro. “A grande sacada foi inserir o chip NFC, com uma antena que não precisa de bateria. É uma solução do começo deste ano. Eles tinham a ideia e desenvolveram com a gente todo o processo”, conta Freitas.

“Eles” são a startup Atar, de Timbó-SC, selecionada para o primeiro ciclo do InovaBRA (clique aqui para saber mais), programa de inovação aberta do banco, que mantém inscrições abertas a novos projetos até 22 de dezembro. Freitas explicou o modelo no comitê de Inovação da Amcham – São Paulo, quarta-feira (02/12).

Tatiany Ernesto, gerente sênior de Inovação e Desenvolvimento da Coca-Cola; Patrick Teyssonneyre, diretor de Inovação e Tecnologia da Braskem; e Ari Piovezani, CEO da Innocentive para Brasil, Argentina e Chile, também falaram de seus modelos de inovação aberta.

“Inovação aberta pode ser feita com diferentes públicos e parceiros, com o consumidor, ou por meio de challenge. Não tem um formato único, ele parte do tipo de negócio”, destaca Maximiliano Carlomagno, presidente do comitê.

É um meio de buscar a perenidade dos negócios, sobretudo em um mercado globalizado. “Inovação fechada nunca é suficiente”, declara Freitas.

Garrafa centenária

A icônica garrafa da Coca-Cola foi um dos primeiros e mais importantes casos de inovação aberta da companhia, que há cem anos fazia um concurso para eleger uma nova embalagem. O designer vencedor foi do projetista Raymond Louise, do escritório Root Glass Company, de Indiana. “Ele se inspirou no cacau. Foi uma inovação aberta, não saiu da empresa”, lembra Tatiany.

De lá para cá, a inovação ficou na área da comunicação, suportando a expansão mundial da marca. Atualmente, a estratégia é ser uma “empresa total de bebidas”, com foco novamente em produtos. “Tem que buscar parceiros para isso”, considera.

No primeiro semestre, a companhia lançou uma plataforma de crowdsourcing chamada Open Up, que teve mais de 1.300 inscrições, com 503 ideias enviadas e três finalistas que as apresentaram à alta liderança. Para ter sucesso na análise e filtragem das propostas, diz Tatiany, o principal foi ter utilizado a pergunta correta: “como ter sua coca-cola gelada e perfeita na hora e no lugar que você quiser?”.

O fundamental, explica, é buscar a perspectiva do consumidor. “Dentro da empresa, olhamos muito para o negócio. (Com a plataforma), uma pequena ideia pode se tornar uma grande ideia, na visão do consumidor”, complementa.

Ideias repetidas, sugeridas por muitas pessoas, também despertam interesse, indica a gerente. Desde que relacionadas à estratégia da empresa, elas levam a insights e reflexões. “Várias ideias conectadas viram soluções muito maiores. Ideia disruptivas não surgem sozinhas ou de uma vez só”, analisa.

Crowdsourcing via clique

O modelo de crouwdsourcing online também é o da Innocentive. A plataforma apresenta desafios de empresas e conecta os chamados “solvers”, pessoas da área ou não do cliente que podem sugerir propostas. Uma delas serviu para compor as soluções da Exxon sobre os efeitos do vazamento de óleo no Alasca, ocorrido há mais de duas décadas.

“Um engenheiro civil propôs o mesmo processo de movimento que não deixa o cimento endurecer para conseguir retirar o óleo”, conta Piovezani.

A Nasa também contratou a plataforma e criou um site próprio dentro de sua home page. “Todos os problemas resolvidos são premiados com US$ 10 mil”, revela.

Colaboração

Gigante do setor químico, a Braskem tem inovado ao inserir no mercado, nos últimos anos, produtos à base de recursos renováveis, como o plástico verde em que um derivado de etanol substitui o de petróleo. A expertise que a empresa adquiriu nesta área foi construída de forma colaborativa, conta Patrick Teyssonneyre.

O diretor de Inovação e Tecnologia conta que a ideia surgiu em 2007, quando a empresa começou a amadurecer a “questão dos renováveis”. “A gente não sabia nada de biotecnologia e precisava buscar essa competência de forma rápida e avançar em outros mercados”, relembra.

De 2009 a 2012, a companhia firmou uma parceria com a Unicamp, envolvendo professores e estudantes pesquisadores de diversas áreas, com foco em biotecnologia. “Os principais desenvolvimentos são multicompetências, o que é necessário para a tecnologia realmente disruptiva”, comenta.

Enquanto isso, a Braskem construiu um laboratório no parque tecnológico de Campinas, já em funcionamento, para desenvolver projetos. “Há outras empresas instaladas por lá, com acesso a equipamentos e sinergias com especialistas”, diz Teyssonneyre.

Além disso, a companhia criou este ano o BraskemLabs, programa de aceleração e mentoria a startups com projetos a partir do plástico. Na primeira rodada, houve 159 inscritos, com 19 selecionados. 

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