Com dedicação e preparo, startup faz sucesso entregando comida a domicílio

publicado 08/10/2014 10h09, última modificação 08/10/2014 10h09
São Paulo – No 2º seminário de startups, Felipe Fioravante, CEO da iFood, conta como foi montar o negócio
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Durante o processo de criação de sua startup iFood, de serviços de entrega de comida, o empreendedor Felipe Fioravante aprendeu duas grandes lições. Uma delas é que, sem dedicação integral ao projeto, a empresa não sai do papel.

“Tinha outro negócio, e o iFood era uma ideia que tocávamos como projeto paralelo há anos. Acabamos nos separando da antiga empresa e formamos um time exclusivo para a criação da iFood. Quando definimos um prazo de três meses para o lançamento, ele aconteceu”, disse, no 2º Seminário Startups e Novos Negócios da Amcham – São Paulo, realizado na quinta-feira (2/10). A ideia de montar o iFood surgiu em 2006, mas só entrou no ar em 2011, conta Fioravante.

Atualmente, o iFood registra mais de 200 mil pedidos mensais de comida. De acordo com a empresa, os restaurantes que se filiaram à empresa têm um aumento médio de 20% no número de pedidos. Para o empreendedor, a falta de agilidade em lançar o aplicativo criou problemas de obsolescência tecnológica e abriu espaço para a concorrência lançar o mesmo serviço. Era preciso agir rápido e concentrar esforços, lembra Fioravante.

Outra lição importante é que conversar com especialistas é uma forma valiosa de pensar em se diferenciar dos concorrentes, e também atestar a validade do modelo. “Explicar o seu Plano de Negócios [documento que detalha como a empresa vai conquistar clientes e mercado] aos investidores é um aprendizado que sai de graça. O empreendedor tem que saber, por exemplo, como vai captar clientes e qual o seu custo. Também precisa convencer os investidores de que é a pessoa mais preparada para vender um produto, e não os concorrentes”, comenta.

As opiniões dos participantes

Os painelistas que participaram do bloco disseram que as dificuldades de Fioravante ao lançar sua empresa no mercado são comuns entre os jovens empreendedores. Guilherme Cervieri, responsável pelo fundo de venture capital e.BRICKS Early Stage, disse que antes de as empresas procurarem investidores, é recomendável que elas já tenham comprovado a eficácia do modelo de negócios.

E ressalta que investidores não vão contribuir apenas com dinheiro, mas com conhecimento de mercado e também participação acionária. “Ao buscar um fundo, o empresário também encontra expertise e visão de mercado”, disse.

Hélio Moraes, sócio do escritório Pinhão & Koiffman Advogados, disse que ao montar uma startup, é preciso levar em conta o crescimento futuro. No estatuto da empresa, é importante ter bem definido o limite de atuação dos sócios e a remuneração. “Uma startup nasce pequena, mas tem que pensar grande e se preparar para isso.”

A importância das pessoas

Para alguns participantes, o sucesso de uma startup não é feito apenas de produtos e serviços inovadores. Também é preciso ter gente engajada e capacitada, de acordo com Caio Esteves, sócio diretor da agência de marketing CEB+D, e André Maxnuk, líder de Fusões e Aquisições da consultoria Mercer.

Especialista em branding, Esteves argumenta que o diferencial de uma marca é o idealismo dos fundadores. “Percebo que as startups se unem no conceito de propósito, e não só para ganhar dinheiro. O ponto de partida é saber porque todos estão juntos e formam um grupo. Pessoas alinhadas estarão movidas pelo mesmo ideal, e o branding age como uma cola para fortalecer o processo.”

Em sua experiência como empreendedor, Fioravante, da iFood, disse que nem sempre o salário é o que motiva os colaboradores. “Normalmente, no começo você tem que contratar pagando um salário abaixo de mercado. Com um projeto inovador, é possível engajar as pessoas.” Maxnuk, da Mercer, disse que toda estratégia de negócios tem que definir também a aptidão profissional das pessoas que vão compor a empresa.

Grandes empresas incentivam startups

A criatividade das startups está na mira das grandes empresas. “É uma tendência as grandes empresas incentivarem as startups, como forma de gerar inovação para elas”, afirma José Aranha, diretor do Instituto Gênesis da PUC (Pontifícia Universidade Católica)-RJ.

As startups costumam ter mais liberdade de criação, o que normalmente não acontece nos departamentos de inovação, de acordo com Aranha. Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper, disse que o apoio pode ser financeiro, mas também acesso a mercados que ela detém e pretende desenvolver.

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