Déficit de profissionais de inovação no Brasil faz empresas substituírem cientista de dados por algoritmos

publicado 30/01/2020 17h29, última modificação 30/01/2020 17h29
Brasília – Número que país forma é menor que a demanda; para não perder competitividade, empresas adotam sistemas autônomos
Marcelo Pimenta, Head do Datalab do Serasa Experian na Amcham Brasília

Marcelo Pimenta, Head do DataLab do Serasa Experian América Latina, palestra durante o nosso Comitê Aberto de Inovação.

“O número de pessoas que o Brasil forma hoje é muito menor do que a demanda existente para criar sistemas novos de não apenas inteligência artificial, mas de toda a arquitetura que é necessária para colocá-lo no ar”, aponta o Head do DataLab do Serasa Experian América Latina, Marcelo Pimenta. Segundo especialista, o que tem acontecido é que as empresas querem adotar inovação, reservam um orçamento para fazer isso, mas não conseguem pessoas treinadas para fazer as implementações.

Assim, para evitar que empresas percam competitividade, sistemas autônomos são criados para fazer esses trabalhos. “Seria automatizar o papel do Data Scientist – a pessoa que vai fazer a pesquisa. Assim, a grosso modo, se constrói algoritmos para construir algoritmos”, explicou o executivo, que esteve presente durante o nosso Comitê Aberto de Inovação em Brasília no dia 28/01.

Durante o evento, ele falou sobre o DataLab da Serasa Experian, projeto que a empresa iniciou em 2010 nos EUA e hoje é um dos mais bem sucedidos. “É o meio que a companhia tem de experimentar novos dados e algoritmos e depois colocar isso dentro de unidades de negócio, transformando um produto de seu portfolio”, acrescenta.

RECEITA PARA COMEÇAR

Para iniciar esse processo de inovação assim como a Serasa Experian, Marcelo explica que a receita fundamental para as empresas é ter muito claro qual o uso da inteligência artificial dentro do negócio. “Então, ao invés de pensar em substituir pessoas, é preciso pensar em substituir tarefas”, comenta.

Na visão dele, existe um grupo mínimo de três pessoas necessárias para dar início a esse processo: alguém com uma visão interna do negócio, um engenheiro de software e um cientista de dados. “A pessoa de negócios vai dar a noção do que pode ser automatizado para que a equipe não trabalhe completamente descolada da realidade da empresa”, avalia. Esse grupo de pessoas servirá para tocar pequenos projetos – de uma semana ou duas – até que os projetos cresçam e virem grandes setores dentro da companhia.

Por fim, ele lembra que existe um problema de cultura nas empresas do Brasil, que só focam no EBITDA (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) e resultados no curto prazo. “Isso pode fazer com que um problema selecionado seja colocado na conta toda de uma nova tecnologia que vai resolver esse problema e isso não acontece”, manifesta. Para ele, é preciso criar uma maturidade grande nas pessoas em relação ao uso da tecnologia para depois colocá-la dentro de um projeto crítico.

OS INGREDIENTES DA REVOLUÇÃO DIGITAL

Nos últimos 15 anos, a revolução digital impactou os negócios e a ciência de dados. Para Marcelo, nunca antes na história conseguimos reunir e produzir tantos dados: “A maneira com que hoje construímos novos algoritmos para entender comportamento de pessoas, governos, empresas, cidades, e outros existe porque as empresas de tecnologia estão tentando entender esses dados para criarem novos produtos e serviços”.

Assim, também foi possível o avanço da inteligência artificial, que não é um assunto novo – vem sendo estudado desde os anos 50 –, mas que, nos últimos cinco anos, foi se modificando com o poder computacional e o custo de armazenamento de dados. O custo de armazenamento caiu bastante e a capacidade de processamento aumentou muito.

“Uma das coisas que sempre esses algoritmos precisaram era um volume de dados tão grande para que fossem treinados, e antes existia dificuldade em fazer isso. Hoje essas barreiras caíram e o uso de inteligência artificial está cada vez maior”, explica Marcelo. Ele relata que todos os negócios hoje precisam pensar em utilizar ou como usar inteligência artificial para reduzir a sua dependência de pessoas e as empresas precisam se preparar para a adoção de inteligência artificial.

O QUE SÃO OS COMITÊS ABERTOS?

São encontros e periódicos entre executivos de diversos segmentos voltados para atualização, benchmark e networking. Os Comitês Abertos também são exclusivos para os nossos sócios. 

PARA QUEM SÃO?

São para todos(as) os(as) associados sem limites de participantes, sendo encontros gratuitos.

COMO FUNCIONAM?

Temos cerca de 110 comitês em atividade, produzindo conteúdos presenciais de diversos temas divididos em várias frentes de atuação, com palestras, painéis de discussão e dinâmicas com speakers especializados no tema.

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