Ecossistema de inovação envolve gestão, imaginação e colaboração, afirma futurista

publicado 06/11/2018 10h35, última modificação 06/11/2018 12h29
Fortaleza - Empreendedores participaram do Trends in Innovation, encontro promovido pela Amcham no dia 23/10
Fórum Inovação Fortaleza

Como se preparar para um futuro cada vez mais complexo e tecnológico? Para Bruno Macedo, Futurista e Sócio Cofundador da Rito, a primeira missão é desconstruir que há apenas um futuro possível: trabalhar com as possibilidades e especulações é a melhor maneira de melhorar as estratégias dos negócios. Através de novos modelos educacionais, isso é possível.

“O modelo de ensino que temos foi preparado para ensinar a história do passado, mas nunca aprendemos a imaginar o futuro. A partir do aprendizado, da experiência de imersão, podemos experimentar futuros. Somos sete bilhões de pessoas e cada um tem um futuro diferente na cabeça. Se uma organização entende existe mais de uma visão, vamos colaborar mais e aumentar nossa capacidade de resolução de problemas”, explicou o especialista, palestrante do Trends in Innovation, evento da Amcham - Fortaleza, realizado no dia 23/10.

Macedo diagnostica que, quando as empresas pensam no futuro, buscam informações sobre transformação digital, tanto na parte de aquisição de tecnologia quanto na capacitação de colaboradores. Ele alerta que é preciso ir além: “O que a empresa precisa é de uma mudança de mentalidade, de cultura. Não é sobre transformação digital, é sobre transformação cultural”, aponta.

Com essa nova perspectiva, ele garante que as empresas serão capazes de desenvolver também estratégias e planejamentos que sejam resilientes e adaptativos. Isso envolve não apenas planejar os próximos cinco anos, mas também olhar em uma perspectiva de décadas, conforme o futurista destaca.

E, para isso, a colaboração é fundamental. “Quando a gente olha para o futuro mais distante, com a complexidade que temos hoje, cada vez mais vamos errar fazendo uma previsão: o que acreditamos que virá em 20 anos pode estar aqui em dois. A melhor forma para criar melhores estratégias é a partir da colaboração, usar os diversos olhares que tem nas empresas e gerar explorações coletivas para que pessoas de fato pensem em novas possibilidades da organização, quais oportunidades que podem surgir a partir de novas tecnologias e novos comportamentos”, finaliza.

 

Como anda o ecossistema de inovação no Brasil?

Para André Medeiros, sócio da Advoco Brasil e idealizador e fundador da EDEVO, o Brasil vive um bom momento para o desenvolvimento de inovação. “É claro que estamos um pouco atrás dos países desenvolvidos, mas esse é um momento muito especial para o Brasil, onde todo mundo pode abraçar a inovação. Nunca vimos tantas startups e empresas buscando outros caminhos, e os próximos anos serão ainda mais intensos”, acredita.

Como desafio, ele acredita que o maior problema não está em questão de investimento ou aquisição de tecnologia, mas sim no mindset dos empresários. “As empresas, principalmente médias, precisam ter um comportamento de aceitar que a tecnologia é essencial. Ou inovar, ou ficar para trás”, analisa.

 

Inovação no Ceará e Nordeste

O Nordeste é uma região que tem crescido muito em termos de inovação, segundo Stenio Lima, empreendedor. Ele recorda que, historicamente, a região que mais se desenvolveu foi o eixo Rio-São Paulo. Há 15 anos, esse desenvolvimento começou a acontecer, com mais universidades e mais empresas nesses estados. “Antes esse movimento ainda estava concentrado em algumas capitais, como Salvador, Recife, Fortaleza. Hoje, já se espalha pelo interior dos estados. No Ceará temos Sobral e Juazeiro; na Paraíba, temos Campina Grande. Para uma região grande como é o Nordeste, com uma geração que tem a cada ano tem mais acesso a educação e mais conectividade graças aos programas de banda larga, isso faz com que o desenvolvimento de novos negócios não ocorra somente em pólos isolados”, lembra ele.

 

Governo e inovação

Para ele, o governo é um elemento fundamental para o desenvolvimento de um ecossistema propício para a inovação, principalmente considerando as dimensões de um país continental, diverso e ainda tão desigual como o Brasil.

“Dizem que em outras sociedades, o governo está afastado [da inovação]. Mas não teríamos uma Apple se o governo americano não tivesse investido no GPS. Então sim, há necessidade de investimento do governo, mas ele não pode se tornar o principal ator: ele é impulsionador. Para a camada de negócios, tem que ser um parceiro, e não um elemento de empecilho do desenvolvimento. O governo é um alavancador dos negócios e não pode simplesmente tomar suas decisões de maneira autoritária ou isolada do que acontece na sociedade”, resume.