Empreendedores brasileiros precisam reforçar formação gerencial e de negócios

publicado 22/07/2014 11h29, última modificação 22/07/2014 11h29
São Paulo – Seminário de Startups e Novos Negócios da Amcham discute ambiente de empreendedorismo
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Uma das conclusões do Seminário Startups e Novos Negócios da Amcham, que aconteceu na sexta-feira (18/7), é que o empreendedor brasileiro precisa desenvolver mais capacidades de gestão e visão de mercado. “O empreendedor ainda é despreparado para lidar com questões básicas, como gestão financeira e de pessoal”, afirma Sílvia Valadares, líder da comunidade de startups da Microsoft, e uma das debatedoras do seminário.

No debate, vários especialistas apontaram a falta de treinamento em gestão e como uma das características mais fortes dos novos empresários. O representante do governo disse que a capacitação profissional e troca de experiências tem sido prioridade no desenvolvimento das startups.

Os empreendedores iniciais conhecem tecnologia muito bem, mas não negócios”, de acordo com Samuel Meirelles, coordenador do programa InovAtiva Brasil do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). O InovAtiva Brasil é um programa de capacitação, mentoria e conexão de novos negócios. A formação de empreendedores envolve treinamento com mentores nacionais e internacionais e troca de experiências com investidores e grandes empresas.

Mas, além da formação gerencial, existe a necessidade de preparar melhor os futuros empreendedores. “Falta ensino básico ao nosso empreendedor. O investimento tem que ser na estrutura, mas também na formação de uma geração empreendedora”, destaca Simara Greco, gerente de projetos de pesquisa do IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade).

A pesquisadora apresentou os resultados de uma pesquisa mundial de empreendedorismo de 2013, liderada pelo GEM (Global Entrepreneurship Monitor), entidade que estuda a influência do empreendedorismo no desenvolvimento dos países.

Divididas em três categorias de sofisticação de empreendimentos, sendo o nível 1 o mais básico, o estudo constatou que 88,9% dos empreendedores da primeira categoria ou não tiveram educação formal ou só chegaram ao superior incompleto.

No nível 2, esse percentual cai para 78,6%, mas ainda pode ser considerado alto. Já nas empresas no nível 3, o montante cai para 61,8%. Em linhas gerais, empresas do primeiro e segundo segmentos vêm do comércio e serviços de alimentação, vestuário e higiene pessoal.  O terceiro nível é formado por consultoria especializada, tecnologia, telecomunicações e economia criativa (publicidade e comunicação digital).

Para Simara, a formação básica deveria fazer parte de um plano estratégico mais abrangente para que o desenvolvimento de negócios de maior conteúdo tecnológico fosse estimulado. “É preciso uma combinação de fatores, como um plano estratégico de valorização de empreendedor. Também não se pode esquecer a facilitação ao acesso de recursos, redução da burocracia e melhoria da educação básica, inclusive aquela voltada ao empreendimento.”

Formação empresarial

Os participantes também apontaram o excesso de burocracia e a alta carga tributária como fatores restritivos do ambiente de negócios, a insuficiência da formação profissional foi mencionada como a causa que mais afeta a qualidade e continuidade dos empreendimentos.

Hélio Moraes, sócio do escritório Pinhão & Koiffman Advogados, disse que as dificuldades estruturais da economia brasileira afetam a chegada de investimentos nas startups. “O investidor sente a falta da segurança jurídica em relação à regulação do capital de risco. A criação de regras específicas para investimento em novos negócios contribuiria muito para incentivar o ecossistema e simplificar processos”, aponta o advogado.

Para Cássio Spina, fundador da Anjos do Brasil , instituição de apoio ao empreendedorismo, o empreendedor brasileiro precisa, além de tudo o que foi discutido, se voltar para outros mercados. “As empresas brasileiras estão pouco expostas ao mercado internacional. A mentalidade ainda é muito voltada ao mercado nacional.”

Em relação à formação profissional, Descartes Teixeira, presidente do conselho do ITS (Instituto de Tecnologia de Software), também se disse a favor de uma formação mais alinhada com o mercado, para “criar soluções viáveis de aproximação entre startups e grandes corporações do mercado brasileiro.”

Institutos como o Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), da Universidade de São Paulo, e a agência de inovação Inova Unicamp, mencionaram a importância da qualificação empresarial. “O empreendedor também precisa aprender a vender”, destaca Cláudio Rodrigues, diretor presidente da Cietec.

O mediador do painel, Guilherme Junqueira, diretor executivo da Associação Brasileira de Startups, defendeu a integração entre o mercado de startups com inteligência de mercado e rede de contatos.

 

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