Empresa não se torna inovadora só porque investe em Pesquisa e Desenvolvimento

publicado 16/01/2014 16h40, última modificação 16/01/2014 16h40
São Paulo – Inovação é apoiada por P&D, mas sucesso depende de estratégia e cultura colaborativa
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O que torna as empresas inovadoras não são os seus avançados centros de pesquisa, mas sim a opção estratégica de oferecer produtos de ponta ao mercado. “Inovação e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são aspectos complementares, sendo que a primeira não está diretamente relacionada à segunda. Você não inova mais porque gasta mais em P&D”, afirma o pesquisador de inovação Eduardo Vasconcellos, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP).

O especialista participou do comitê de Inovação da Amcham-São Paulo, realizado na quinta-feira (16/1) (confira apresentação completa). Segundo Vasconcellos, a chave para trabalhar com sucesso a inovação gerada nos centros de P&D está na gestão e no ambiente de compartilhamento de informações. “Empresas de sucesso em inovação global trabalham dentro de uma estratégia única. E também da cultura de colaboração intensa.”

O mérito dos centros de P&D é o de reunir conhecimento, pesquisas e experiências práticas – muitas vezes espalhadas por diversos países – e transformá-los em projetos de inovação. “Projetos internacionais de inovação envolvem vários recursos de pesquisa. A gestão de um projeto internacional envolve aspectos de planejamento, projetos e áreas funcionais [Finanças, RH, Operações e Marketing]”, afirma o especialista.

Case Boeing

Além de Vasconcellos, participaram do comitê de Inovação os representantes de P&D da Boeing e Basf, que contaram um pouco de como estão estruturados as estações de desenvolvimento de ambas as multinacionais. Desde 2012, funciona em São José dos Campos (SP) um Centro de P&D da fabricante de aeronaves Boeing, a sexta unidade fora dos Estados Unidos (as outras estão em Moscou, Madri, Austrália, Índia e China). Entre os objetivos do laboratório no Brasil está o desenvolvimento de biocombustível para aviação e o de biomateriais capazes de substituir os componentes plásticos dos aviões.

“Estamos em uma posição muito favorável para disponibilizar, em até dez anos, materiais biológicos avançados que substituirão os de origem fóssil (plásticos) nos aviões”, disse Antonini Puppin-Macedo, diretor de operações e coordenação de pesquisa da Boeing Research & Technology Brasil. “Em relação ao biocombustível, estamos estudando com parceiros uma malha aérea que permita operar aviões com esse insumo durante a copa (junho)”, comenta.

Os resultados dos projetos foram obtidos em colaboração com instituições acadêmicas brasileiras e internacionais. Ele disse que os entraves burocráticos no Brasil são grandes, mas se mostrou otimista em relação ao sucesso das parcerias.

Case Basf

A agricultura é um dos ramos de atuação da empresa, que também atua em química, petroquímica, tintas e petróleo e gás. Desde fevereiro de 2013, a Basf opera um centro de estudos de biotecnologia agrícola em Lucas do Rio Verde (MT). “As pesquisas são feitas em parcerias com universidades, clientes, fornecedores e joint‐ventures com empresas de tecnologia”, disse Rafael Brugnera Belani, gerente de inovação para a América Latina da Basf .

O desafio de viabilizar a multiplicação de alimentos nas próximas décadas é o que move a indústria química Basf, segundo Belani (confira apresentação completa). “Seremos nove bilhões de habitantes em 2050, para apenas um planeta. Queremos melhorar a qualidade de nossos produtos para alimentar essa população”, comenta ele.

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