Empresas brasileiras precisam se estruturar em inovação para dar salto qualitativo no mercado global

por daniela publicado 22/03/2011 15h47, última modificação 22/03/2011 15h47
São Paulo - Este é o foco das atividades do novo comitê da Amcham na capital paulista, uma parceria da entidade com a Fundação Dom Cabral.
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O Brasil reúne uma série de condições para avançar como grande potência econômica no cenário global; entretanto, para que isso aconteça, deve colocar foco em inovação. Um passo fundamental é que as companhias brasileiras se estruturem em relação à capacidade de transformar ideias em fins produtivos. A avaliação é de Carlos Arruda, professor de Inovação e Competitividade e coordenador do Núcleo de Inovação da Fundação Dom Cabral (FCD).

“Vivemos num mundo de transformações rápidas; então, o que é uma solução tecnológica, um produto, um serviço ou uma maneira de gerenciar um negócio, amanhã, talvez, não seja tão eficaz. Cabe às empresas buscar mecanismos para conviver com essas mudanças e também aproveitá-las para ter mais retornos”, disse Arruda, presidente do novo comitê de Inovação da Amcham-São Paulo, lançado nessa terça-feira (22/03). O grupo, uma parceria da entidade com a FDC, discutirá ao longo do ano justamente quais são os desafios internos do meio empresarial para potencializar a inovação.

As companhias têm de se reinventar constantemente e, conforme a avaliação do professor, o principal desafio é a remoção das barreiras culturais. Arruda explica que, normalmente, as empresas nascem empreendedoras e criativas, mas, na medida em que consolidam suas atividades, criam rotinas, procedimentos e estabelecem regras. Esses instrumentos são voltados à gestão eficiente, mas, ao mesmo tempo, costumam ser ‘inimigos’ da inovação.

 

“São práticas importantes, porém têm de estar associadas a uma pergunta constante que é: 'o que podemos fazer diferente?' Se as empresas focam muito a gestão eficiente, não inovam e, quando se concentram muito na inovação, não conseguem gerar resultados. É fundamental buscar o equilíbrio.”

Para inovar, é necessário desenvolver um ambiente diferenciado, que privilegie o diálogo e a captura de ideias, tanto internamente quanto dos stakeholders (partes envolvidas no negócio, como clientes, fornecedores e acionistas). Nesse caminho, deve haver comprometimento da liderança, escolha dos profissionais corretos, comunicação, networking e políticas de reconhecimento e premiação.

Brasil, Brics e EUA

De acordo com o professor da Fundação Dom Cabral, o Brasil está atrasado em inovação no contexto global.  Os valores dos brasileiros e o ambiente econômico do País são muito favoráveis à inovação, mas a prática está defasada.

O volume de investimentos governamentais em universidades e centros de pesquisas é considerado razoável por Carlos Arruda. O Brasil é 13º país do mundo em publicações científicas. Por outro lado, o montante de recursos destinado pelas empresas deixa a desejar. “Defendemos pontes entre empresas e governo; entre companhias e universidades; e entre todos. Existem oportunidades enormes se o País fizer essas ligações.”

Em relação aos demais integrantes do BRIC (bloco que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), quando se trata de inovação, o Brasil está em terceiro lugar junto com a Rússia. Em segundo, aparece a Índia, com inovação concentrada em alguns centros de excelência, como tecnologia da informação e saúde, mas que, diante de contradições internas, perde na média. Já a China é a líder na agregação de valor ao setor produtivo através de ideias.

Analisando a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil, Arruda ressaltou que o País pode tirar muito proveito da expertise americana em inovação. “Sem dúvida, os EUA são líderes mundiais no esforço de inovação, com o maior volume de investimentos de empresas, governo e universidades. Além disso, contam com mecanismos de regulamentação e financiamentos muito eficientes.” Atualmente, o momento é positivo para maior integração porque há convergência de interesses dos setores privados e dos governos de ambos os países, avaliou.

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