Faça como Jobs: monte seu time de piratas da inovação, diz diretor da EY

publicado 23/11/2017 16h52, última modificação 29/11/2017 11h09
São Paulo – Disrupção tem que surgir na empresa e não nos concorrentes, segundo Denis Balaguer
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Denis Balaguer, da EY: inovar do jeito pirata é buscar produtos e negócios que desafiem a própria empresa

Se uma empresa quiser sobreviver e ser relevante no longo prazo, Denis Balaguer, diretor de inovação da EY, recomenda seguir o exemplo do fundador da Apple, Steve Jobs. Para criar o computador McIntosh, Jobs selecionou um grupo de funcionários com total autonomia para reinventar conceitos e processos – e os chamou de piratas.

“Não existiria computação pessoal como a gente conhece hoje, se não fosse esse grupo de piratas que tomou para si a missão de destruir o próprio business da Apple”, disse, na reunião conjunta dos comitês estratégicos de Marketing e Diretores Comerciais da Amcham – São Paulo na quarta-feira (22/11).

Ou seja, se uma nova tecnologia ou modelo de negócio for ameaçadora o suficiente para o mercado de uma empresa tradicional, melhor que ela seja desenvolvida ou controlada por essa mesma empresa, defende o consultor.

A Apple é uma empresa que inovou de forma “pirata”. No começo da década de 1980, a fabricante de computadores tinha se tornado uma empresa mais voltada a ser eficiente do que em inovar. “O objetivo dela era fazer o computador seguinte 10% mais barato. E Jobs não queria isso”, conta Balaguer.

O que ele queria era mudar o mundo, e não fazer computadores mais baratos, segundo o consultor. Foi com esse objetivo que Jobs selecionou funcionários e os colocou para trabalhar no projeto do McIntosh. Para diferenciar o grupo, Jobs hasteou uma bandeira pirata no escritório. Na ocasião, o fundador disse que "era melhor ser um pirata do que se alistar na Marinha".

Quando lançado em 1984, o McIntosh era um computador pessoal com design e funcionalidades inovadoras. Além de introduzir o mouse como acessório, o McIntosh era equipado com softwares que possibilitavam, pela primeira vez, a edição amadora de textos e gráficos.

Sucesso de crítica e público, o computador da Apple revolucionou o mercado e transformou a companhia na segunda maior fabricante mundial de computadores. “O jeito pirata de inovar é quando a empresa aceitar fazer coisas que normalmente não faria e que atentam contra a essência do próprio negócio”, comenta Balaguer.

Inovação na EY

Com espírito de inovação pirata, Balaguer procura desenvolver soluções disruptivas na EY. Um deles é um projeto feito em parceria com a área tributária. Usando um motor de inteligência artificial para fazer recomendações em casos legais, a equipe da EY programou o sistema para entender o contexto de cada processo e interpretar como os juízes se comportam nesses casos.

Já é possível saber qual seria a probabilidade de sucesso que um processo sobre 13º salário com determinado juiz, detalha Balaguer. “Em um caso desses, por exemplo, há 80% de chances de perder. Então melhor fazer um acordo com determinado alcance financeiro.”

A ideia é vender a solução por meio de uma assinatura mensal de serviços. O modelo enfrenta vários questionamentos internamente, mas o especialista defende sua aplicação. Um gerente sênior tributário contestou o projeto, dizendo que essa assinatura custa x mil reais por mês. O mesmo serviço de consultoria, que dura três meses, custa centenas de milhares de reais. “Respondi que é melhor ser eu a oferecer esse serviço do que uma startup ou o concorrente”, argumenta Balaguer.

Para ele, a inovação tem que ser criada de dentro para fora. “Não se pode terceirizar a disrupção do seu negócio. Uma empresa pode comprar uma startup, mas o que vai acontecer no dia seguinte? Se você trouxer ela para dentro, fica com a cara da empresa. E se mantiver ela fora, não vai mudar nada.”

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