Falta de profissionais capazes de gerar inovação atinge empresas de todos os portes

publicado 22/08/2013 16h45, última modificação 22/08/2013 16h45
São Paulo – Executivos e empreendedores se desdobram na gestão da inovação e formação de pessoal
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Na quinta edição do seminário de Inovação no Brasil da Amcham-São Paulo, realizado na quinta-feira (22/8), empresas convidadas de todos os portes revelaram os diferentes desafios rumo à inovação, mas o que há em comum entre eles é a grande necessidade de atrair e reter os profissionais capazes de produzir invenções.

“O que empresas grandes, médias e pequenas têm em comum em relação à inovação são os diferentes estágios de dificuldades a serem superadas”, disse Maximiliano Carlomagno, sócio da consultoria Innoscience e moderador do debate.

“As grandes têm modelos consolidados de negócio, e fomentar inovação envolve estruturas, políticas, processos e cultura. Nas médias, inovação é desenvolver novas tecnologias sem estruturas ou práticas muito sofisticadas de gestão, enquanto que nas startups, o desafio é transformar uma boa ideia em negócio”, acrescenta ele.

O CEO da Amcham, Gabriel Rico, ressaltou a importância de estimular a inovação no Brasil. “Um país não pode ser competitivo sem ter incorporado uma cultura de inovação”, afirmou ele. Ele cita que o Brasil caiu no ranking de inovação medido pela Universidade de Cornell (EUA), em que o Brasil ocupa a 62ª posição na edição de 2013 – entre 140 países.

Além disso, o volume de patentes concedidas no Brasil é praticamente o mesmo desde 2001, quando 701 registros foram aprovados para residentes brasileiros. Dez anos depois, o volume foi praticamente o mesmo: 711 patentes. “Temos que caminhar muito rumo à cultura de inovação”, constata Rico.

Grandes empresas

No primeiro dos três painéis do seminário, grandes empresas como HP, Telefonica Vivo, Boeing, DuPont e IBM disseram como estão conduzindo os processos para estimular e produzir novidades tecnológicas.

A atração e retenção de mão de obra capacitada foram apontadas como um problema comum entre as empresas. Mas elas também comentaram que as políticas para alocação de recursos e criação de centros de pesquisa é submetida à necessidade de se comprovar a importância do desenvolvimento da tecnologia, mesmo que algumas delas não se mostrem viáveis em curto prazo.

Os executivos também trataram do ambiente macroeconômico e institucional que afeta a inovação, dizendo ser necessário aumentar a proteção da propriedade intelectual. As políticas públicas relativas à inovação são escassas, e o que as empresas têm feito para criar inovação é colaborar com as universidades e adequar a gestão ao processo, levando em conta o grau de risco e erro.

Médias empresas e startups

No segundo painel, empresas de médio porte disseram ser difícil – mas compensador – equilibrar a condução diária dos negócios com o engajamento para a inovação. A necessidade de formação de pessoal também foi lembrada pela fabricante de motores Higra Industrial, o laboratório Farmaformula e a indústria de equipamentos BCM Automação.

O terceiro e último painel de debates foi dedicado às startups. O portal de informações financeiras Bússola do Investidor disse que os empreendedores precisam de apoio financeiro e técnico para crescer. A incubadora de empresas Cietec (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia), a agência de inovação Inova Unicamp e o governo do Chile apresentaram suas ações de incentivo ao empreendedorismo. E a financiadora de projetos Totvs Ventures falou sobre os seus critérios de financiamento de startups.

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