Internet das Coisas pode trazer 200 bilhões para economia nacional até 2025

publicado 23/02/2018 18h01, última modificação 27/02/2018 09h12
São Paulo – Whirpool, Carenet e McKinsey apontam poder estratégico da tecnologia na revolução dos negócios brasileiros
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Empresas como a Whirpool e Carenet já usam a tecnologia para oferecer novos produtos e serviços

Uma infraestrutura global que habilita serviços e conexões entre coisas com base em tecnologias de informação e comunicação (TIC). Essa é a definição mais usada para Internet das Coisas - ou Internet of Things (IoT), uma das tecnologias mais disruptivas da economia do século XXI. Empresas de todos os países estudam como será o impacto disso nos modelos de negócios, produtos e serviços. Especialistas calculam que, até 2025, a IoT poderá adicionar de quatro a 11 trilhões de dólares na economia mundial. Para o Brasil, a cifra pode chegar a 200 bilhões de dólares na economia nacional nesse mesmo período.

A tecnologia pode trazer mais conveniência e controle para os consumidores, segundo Renata Marques, CIO da Whirpool para a América Latina. A organização estuda o uso da internet das coisas para migrar cada vez mais para um modelo de casa e eletrodomésticos inteligentes. Sensores poderiam ajudar, por exemplo, a identificar se a ventoinha da secadora está acumulando algodão, algo que apresenta um risco, ou a monitorar o estoque de produtos e evitar com que o consumidor fique sem algo essencial ao seu dia. Para a multinacional, presente em pelo menos 80% dos lares brasileiros com as marcas Consul e Brastemp, a coleta de dados pode revolucionar sua atuação e inclusive enxergar novas oportunidades de negócios. “Se já tivéssemos IoT nos aparelhos, imagina a quantidade de informações que já teríamos sobre os clientes”, comenta.

Um exemplo que já está mudando o dia a dia nas casas é o Yummly, startup adquirida pela Whirpool e que funciona no Reino Unido como uma plataforma de recomendação de receitas. O aplicativo do celular que usa a câmera para reconhecer ingredientes que estão na geladeira e sugere receitas baseadas nos alimentos que lá estão. Se faltar algo para alguma receita, o app conecta automaticamente com mercados para facilitar o pedido e compra dos mesmos.

Marques lembra que, quando tratamos de IoT, não podemos esquecer de alguns pilares que vão além da tecnologia: pensar em armazenamento em nuvem, Analytics e segurança de dados são alguns deles. “Tudo que começamos na Whirpool hoje, começamos na nuvem. Cybersecurity é fundamental também, não dá para não pensar nisso, temos que cuidar bem dos dados do consumidor e informações de cartão de crédito”, aponta.

Saúde nas mãos do paciente

No setor saúde, a ideia é empoderar o paciente através de dados para que ele consiga cuidar de si sem necessariamente ir a um hospital ou precisar ir a uma consulta. Isso é especialmente promissor em doentes crônicos, segundo Immo Paul, fundador da Carenet. Através de sensores, é mais fácil cuidar da condição do paciente, identificando e monitorando sinais vitais. Paul conta que uma pessoa gera em sua vida 200 terabytes relacionados a saúde e mais de 50% desses são relacionados a estilo de vida e comportamento, ou seja, não necessariamente estão em hospitais e laboratórios, que ainda detém informação sobre a pessoa muito baseada em exames periódicos. Segundo a IBM, 90% dos dados de saúde são perdidos hoje por não serem apropriadamente processados ou guardados.

“O que mudou com a Iot é essa descentralização e democratização da saúde. As pessoas começam a comprar dispositivos e sensores para se auto monitorar. Hoje na Suíça você encontra 300 dispositivos que custam entre 20 e 200 dólares. Existe a tendência das pessoas comprarem esses dispositivos e aprenderem mais sobre a saúde delas, afirma. Além disso, os sensores, quando conectados a hospitais ou empresas de saúde, estabelecem mais pontos de contato com o paciente. Dessa forma, caso alguém esteja com a pressão mais alta ou algum sinal alterado, é possível entrar em contato rapidamente com a pessoa e tomar as medidas necessárias.

Como conselho para as empresas que buscam implementar o IoT em seus processos, Paul faz uma recomendação: “Vocês nunca podem começar com a tecnologia, tem que focar na jornada que querem criar para o cliente, e só depois buscar as ferramentas para viabilizar isso”, alerta.

Planejamento nacional para IoT e diretrizes

Em dezembro de 2016, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) produziram o estudo “Internet das Coisas: um plano de ação para Brasil”. A ideia era justamente definir as aspirações estratégicas sobre a tecnologia, priorizar e definir planos sobre IoT e elaborar planos de ação para serem implementados até 2022. Segundo Felipe Faria, gerente de Projetos da McKinsey, o primeiro passo foi definir o que a Internet das Coisas faria pelo país. “A aspiração é acelerar a implementação de IoT como ferramenta do desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira, sendo capaz de aumentar a competitividade da economia e promover a melhoria da qualidade de vida”, resumiu.

Através desse relatório, a instituição identificou quatro pilares principais e que teriam maior capacidade para crescer com a IoT: cidades, saúde, rural e indústrias. Foram traçadas mais de 60 iniciativas recomendadas, incluindo projetos como a Plataforma de Inovação e Cartilhas da Cidade, que será lançada no primeiro trimestre deste ano.