Investidor anjo: o que é e como se tornar um?

publicado 16/11/2021 16h24, última modificação 16/11/2021 16h24
Apesar do risco ser considerado alto, os múltiplos de retorno de um investimento anjo podem superar o capital investido
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O termo investidor anjo nasceu na década de 1920 para designar empresários que bancavam os altos custos das produções teatrais da Broadway, nos Estados Unidos. Hoje, essa figura é a maior fonte de capital acompanhado de conhecimento para startups em fase final de validação ou na etapa de crescimento, agregando experiência e rede de contatos em prol do sucesso do negócio.

Ao contrário de incubadoras e aceleradoras, representadas por pessoas jurídicas, investidores anjos são pessoas físicas que aplicam o próprio patrimônio – entre 5% e 10% de seu capital – em startups com alto potencial de retorno. No Brasil, os investidores geralmente são empreendedores que tiveram sucesso em sua organização e desejam apoiar o ecossistema ou executivos de grandes empresas que buscam encontrar novas oportunidades de investimento.

Apesar do trabalho envolver mentorias e acompanhamento pessoal aos empreendedores, o investidor anjo tem uma participação minoritária no negócio, não deve ser considerado sócio e, na maioria das vezes, não ocupa uma posição executiva na startup. Mas a atividade não é filantrópica: o retorno financeiro de um investimento neste modelo costuma ser muito maior do que o capital investido ou de qualquer outro ativo disponível no mercado financeiro.

Com a pandemia, no entanto, o volume de investimento anjo retrocedeu 20% em 2020 em comparação ao ano anterior, retornando aos níveis de 2016, segundo uma pesquisa realizada pela Anjos do Brasil. No ano passado foram aportados apenas R$856 milhões pelos investidores anjos brasileiros – 0,7% do que é investido em startups nos Estados Unidos anualmente.

A expectativa para 2021 é positiva e de recuperação, supondo um aumento de 15% nos investimentos. Ainda que a previsão seja insuficiente para a demanda das startups, as razões para se tornar um investidor anjo são diversas, bem como os benefícios gerados por essa conexão. Mas, na prática, quais são as vantagens de ser um investidor anjo?

 

POTENCIAL DE LUCRO

Estudos mostram que cerca de 7 em cada 10 startups que receberam algum dinheiro de investidores fecham as portas antes de completar 5 anos de existência. Porém, apesar do risco de investir em uma startup ser considerado alto, os múltiplos de retorno quando se acerta podem superar o capital investido. A dica para mitigar riscos e aumentar a probabilidade de retorno é investir apenas uma pequena fração do patrimônio nesse tipo de ativo e diversificar o portfólio de startups.

 

CONEXÃO COM O ECOSSISTEMA

O mundo corporativo está recheado de tendências, novidades estão sempre aparecendo e, hoje, se a empresa não inova, muito provavelmente outra companhia virá e tomará seu lugar. Como investidor anjo, o executivo participa de um ecossistema estratégico para fomentar a transformação digital do país, reciclando conhecimentos e se mantendo atualizado sobre as tendências do mercado.

 

SEGURANÇA JURÍDICA

Com o novo marco legal das startups, há uma definição clara e específica para a figura do investidor anjo. Segundo o advogado Thiago Spinola, um investidor agora poderá ser remunerado por seus investimentos sem precisar se tornar um sócio, algo que só era possível com certos arranjos contratuais. Avançando no mercado, essa segurança jurídica torna as startups uma boa opção de investimento para quem busca maior rentabilidade e não tem tanta aversão ao risco.

 

NOVOS PROPÓSITOS

Além de se atualizar e ter contato com novas possibilidades de negócio, o investimento anjo é capaz de unir capital a propósito pessoal. Seja fomentando mudanças reais no país, transmitindo conhecimento para empreendedores em início de carreira ou apoiando uma causa, o investidor anjo pode ajudar a sociedade e obter lucro.

 

COMO SE TORNAR UM?

O investimento anjo opera com o investidor dando capital para a startup em troca de ações da empresa e, geralmente, se investe em grupo para mitigar riscos e amplificar esforços. Uma aliança de anjos significa que todos estarão investindo por meio do mesmo contrato – negociado pelo anjo-líder – e tudo que o executivo tem a fazer é acompanhar a evolução da jornada da startup.

Se você é novo no mercado, a recomendação é se juntar a uma comunidade que facilita o networking para co-investimento – e o Amcham Angels é a oportunidade perfeita para identificar oportunidades e investir a partir de pequenas cotas. “Construímos pontes entre as grandes empresas, grandes executivos com extenso know how e disponibilidade de capital, e as startups com maior impacto no mercado brasileiro", explica Marcelo Rodrigues, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Amcham.

Além de oportunidades de investimentos, a comunidade Amcham Angels oferece ferramentas para se educar, acesso direto a fundadores e contato com investidores especializados que permitirão a cada participante ultrapassar as fronteiras de seu conhecimento sobre inovação. Seja um líder Angel e descubra oportunidades exclusivas no mundo da inovação.