Na era da tecnologia, experiência do colaborador é o maior desafio para as empresas, afirma Sofia Esteves

publicado 25/06/2018 09h49, última modificação 25/06/2018 11h51
São Paulo - Para especialista, quem criar um bom ambiente de trabalho terá vantagem competitiva

No meio dessa revolução tecnológica, as pessoas ainda devem permanecer como centro de tudo. Segundo Sofia Esteves, fundadora da Cia de Talentos, o maior desafio dessa nova era tecnológica serão as pessoas. “Nossa maior luta está na experiência dos funcionários e colaboradores e isso será a nossa maior vantagem competitiva. As empresas que investem fortemente nisso - em ambiente de trabalho, empoderamento e desenvolvimento - têm seus resultados até 122% maiores”, aponta. Por isso, entender quais são as expectativas desses profissionais diante dessa nova economia é essencial. Durante o CxO Fórum da Amcham - São Paulo, do dia 20/06, Esteves apresentou alguns dados da pesquisa “Carreira dos Sonhos”, realizada com mais de 130 mil pessoas entre jovens, média e alta liderança de organizações por toda a América Latina.

Mudanças  e transformação

Esteves ressaltou que, diante das mudanças, jovens acreditam que o momento em que vivem é muito interessante, mas que também causa muita ansiedade (41%).  “E essa ansiedade hoje no Brasil é o terceiro maior motivo de afastamento do trabalho. Dados da OCDE mostram que, até 2020, esse número vai crescer e vai ser o maior motivo, não só para o nível jovem. Por isso, tem empresas que estão trabalhando essa questão da ansiedade, que tem assolado todo mundo”.

Para a média gestão, a cultura da empresa não permite mudanças significativas; já para a alta liderança, a maioria (45%) respondeu que se sentiam ótimos pois sabiam exatamente o que tinham que fazer. “eu me assusto pq não sei o que fazer. Eu confesso que não sei, luto para saber, mas ouvir de nós que 45% de nós… ou isso é um problema ou uma solução”, comenta Esteves. 

Confiança e hierarquia

Em termos de confiança, as notas mais baixas foram para os CEOs e alta liderança, enquanto as mais altas foram dadas a colegas de trabalho. Isso talvez seja um sinal que é necessário descentralizar as tomadas de decisão. A grande maioria dos jovens (79%) também se posicionaram a favor de um líder mais colaborativo. Ao mesmo tempo, os CEOs reconheceram a necessidade de se ter menos hierarquia nas organizações.

O que se busca em uma empresa?

A pesquisa detectou alguns fatores que todos os níveis buscam dentro de seus trabalhos: desenvolvimento, fazer o que se gosta, trabalhar em um ambiente inovador e que gere impacto positivo pra todo mundo. A empresa praticar seus valores e sua cultura também é um fator de retenção: o maior motivo de saída das empresas, atualmente, é justamente quando os colaboradores percebem que esses valores ficam apenas no papel. Esse também deve ser um ponto de atenção, segundo Esteves.

Por isso, a especialista recomenda que a liderança empodere, ouça e dê espaço para seus colaboradores. Ela também alertou sobra a importância de gerir bem a média gerência, já que eles impactam no cotidiano dos mais jovens e serão os sucessores do futuro.  “O que a gente tem para fazer é simples de falar e difícil de fazer no dia a dia”, alertou.

E como é o líder do futuro, diante de todos esses desafios?

Quem ficou com esse desafio de responder a isso foram Lucas Mendes, diretor geral da WeWork Brasil; Leandro Esposito, country manager do Waze e Marcos Nader, empreendedor. Quem moderou o painel foi José Eduardo Teixeira Costa, editor-chefe da Exame.

Mendes identifica que há  uma mudança no mindset de quem está começando, em que os funcionários exigem mais horizontalidade. Por isso, é importante que um líder esteja aberto a mudanças: não apenas às tecnológicas, mas as que dizem respeito ao comportamento humano também.

Para Nader, o processo é o líder - ele tem que trabalhar constantemente para alinhar o compliance, a cultura e os colaboradores. “Não existe improviso ou heroísmo. isso se estende a compliance, diversidade e outros. Em época de Copa: em time entrosado, você sabe que pode correr para um lado que alguém vai te alcançar exatamente naquele ponto” , exemplifica.

Outra característica necessária a um líder, na visão de Esposito, é a capacidade de se reinventar e, com isso, levar a mudança para a empresa. isso pode incluir a missão da empresa, por exemplo. O Waze, recentemente, mudou a sua. Foi de “driblar o trânsito juntos” para “acabar com o trânsito juntos”. “Talvez aconteça alguma coisa que mude seu negócio. Por isso, a capacidade de se reinventar é muito necessária. Em empresa de tecnologia, se você não se reinventar, você morre”, relata.