No chão de fábrica: entenda como a Heineken, Sabó, Bosch e Lenovo enxergam e praticam a Indústria 4.0

publicado 05/03/2020 11h00, última modificação 05/03/2020 14h49
Campinas – Missão Regional levou delegação para conhecer operações de referências do mercado brasileiro
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Executivos visitaram diversas fábricas, como a da Heineken

A transformação dos negócios não se restringe à tecnologia quando falamos em indústria 4.0. Esse foi um dos aprendizados que a Lenovo, líder em PCs, trouxe para a delegação da Missão Regional de Campinas. Para Ricardo Tiltscher, Diretor de Operações da empresa, o futuro será um desafio para todas as empresas que trabalham com produtos. “Estamos adaptando a empresa a desenvolver mais soluções do que simplesmente vender um produto. No futuro, quem tentar sobreviver de produto não vai ter muito sucesso. As empresas precisam desenvolver soluções que encantam, facilitam e tornam a vida de pessoas e outras empresas melhores”, compartilhou o executivo.

Além da Lenovo, a delegação de executivos que participou de nossa missão visitou a Heineken, Sabó, Bosch e Unilever entre os dias 11/02 e 14/02. Veja os principais insights dessas empresas para o futuro:

 

VERSATILIDADE NA PRODUÇÃO

Para Tiltscher, a transformação tecnológica ajudou a Lenovo a alcançar resultados impressionantes: pelo quarto ano consecutivo, a marca foi a número 1 em PCs do mundo, com faturamento de U$ 51 bi em 2019. A redução de custos de operação, através do investimento em tecnologia, foi uma das chaves para o crescimento da companhia. E, no caso brasileiro, além da tecnologia, é preciso ter versatilidade: a manufatura brasileira é a única que monta todos os tipos de produto na planta entre todas as unidades da Lenovo no mundo. “Por isso, aqui, precisamos ter diversas linhas de montagem, processos extremamente flexíveis, porque hoje nossos colaboradores estão montando um tipo de produto, e amanhã pode ser outro tipo na mesma linha”, conta.

 

PRODUTIVIDADE A 100%

Na Bosch, os últimos cinco anos foram de transformação radical nas fábricas através da conectividade de máquinas e sensores, além de processamento de dados e softwares que melhoram processos e qualidades. Com isso, a exigência aumentou, segundo Julio Monteiro, Diretor Industrial: “Quando olho cinco anos, quando falávamos de 70% efetividade de máquina, já estávamos comemorando. Hoje, quando falamos de 90 ou 95% de efetividade, não estamos satisfeitos. Mudou muita coisa”.

 

VELOCIDADE, POR FAVOR

Para Ricardo Ávila, Diretor Industrial da Sabó, o conceito de indústria 4.0 se centraliza principalmente ao redor de uma ideia: agilidade. “É perceptível que temos grandes soluções relacionadas à velocidade, principalmente ao tempo de processamento das informações. É muito interessante ver como vem evoluindo a velocidade de processamento de dados de todos os dispositivos”. Segundo o executivo, as transformações no chão de fábrica melhoraram a qualidade dos produtos em todos os estágios da manufatura, garantindo rastreabilidade de informações, e com compartilhamento de dados.

A expansão também faz parte do universo 4.0 – ou seja, a transformação vai além das linhas de montagem. Isso é necessário para ganhar competitividade – segundo Ávila, mais interação com empresas parceiras em distribuição e montadoras estão sendo um dos focos de transformação da Sabó para o futuro próximo. “A agilidade também é importante na comercialização: estamos evoluindo nossos canais de venda, trazendo soluções para parceiros em outros portfólios e mudando o processo de venda de soluções. Ou seja, é também sobre entregar agilidade para o colaborador, acionista e cliente”, conta.

 

O HUMANO 4.0

Mais do que a tecnologia, o valor agregado vem junto com uma boa gestão e valores da empresa. Saulo Miguel, Diretor Industrial da Heineken, cita Peter Baker para exemplificar a importância do humano dentro da tecnologia: a cultura organizacional engole a estratégia no café da manhã.  “Se você não trabalhar no lugar certo, no coração das pessoas certas, nenhuma estratégia sobrevive. As pessoas certas são os nossos maiores ativos”, relata.

Para além da transformação dos processos industriais, a inovação, para a empresa, também surgiu através de posicionamentos de marca. Um desses exemplos é o patrocínio de corridas de Fórmula 1 com a mensagem de consumo consciente de bebidas alcoólicas: o famoso ‘se beber, não dirija’. Para além do cuidado com a saúde das pessoas, a companhia trabalha com valores de sustentabilidade. “Se a indústria de bebidas não aportar produtos que cuidem do meio ambiente, que olhem para sustentabilidade e para a saúde das pessoas, está fadada a derrota. Precisamos aplicar energia e foco na inovação e nos valores do contexto do planeta”, analisa.

 

MISSÕES REGIONAIS

Ricardo Ávila, da Sabó, comentou sobre a importância de missões regionais como as organizadas por nós.  “Essas missões são bonitas porque criam uma visão para o executivo de que é possível fazer a transformação acontecer. Esse processo da visita tende a trazer inspiração e cada um de nós tem o seu próprio desafio”, analisa.

 

O QUE SÃO AS MISSÕES EMPRESARIAIS?

São imersões práticas, com agenda customizada às necessidades de transformação dos nossos associados, com agenda prática de benchmarking com empresas e instituições de referência. Organizamos alguns tipos de missão, como as regionais (dentro do Brasil) e as internacionais (em países estratégicos para o Brasil, como EUA e China).

PARA QUEM SÃO?

Para sócios e não sócios, de acordo com o perfil de público para o qual a missão foi desenhada, bem como sua temática. Também podemos organizar missões no formato ‘Tailor Made’, atendendo às demandas específicas da empresa parceira.

COMO FUNCIONAM?

Lideramos delegações de empresários em mais de 300 visitas a grandes empresas, institutos, feiras e universidades. Alguns exemplos são a Missão de Compliance e a de Infraestrutura, que está com inscrições abertas.