O que é design thinking e por que isso pode levar à inovação?

publicado 26/03/2014 15h02, última modificação 26/03/2014 15h02
São Paulo – Consultora dá uma aula de como esse conceito gera inovação nos negócios
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“Colocar o ser humano no foco da situação, aproximar o negócio de seus usuários e encontrar nas necessidades deles a inovação” é um resumo do que é design thinking, segundo Isabel Adler, diretora de Inovação da MJV Tecnologia e Inovação (confira a apresentaçao completa aqui).

Ela participou do comitê aberto de Inovação da Amcham – São Paulo na terça-feira (25/03), e explicou como esse conceito pode levar as organizações a inovar em seus negócios, de forma incremental –  uma evolução de algo já existente -, ou disruptiva, radical e revolucionária.

“Isso ocorre porque o designer traz todas as informações para o desenho e pensa em como resolver os problemas encontrados. E isso, o tempo todo”, diz.

A consultora explica que esse processo ocorre baseado em quatro pilares (empatia, visualização, colaboração e tangibilização, processo de tirar as ideias da cabeça e concretizá-las), durante três etapas (imersão, ideação - o processo de geração de ideias - e prototipação - etapa em que se testam conceitos para validá-los). Essas etapas não são lineares, mas ocorrem ciclicamente, conforme Isabel detalha abaixo.

Pilares

A empatia se dá justamente por colocar o ser humano no centro do processo. Deve-se olhar para o contexto sob o ponto-de-vista dos usuários que o vivenciam, passando pelas mesmas experiências deles. “A análise e a descoberta das soluções não podem ser pelo seu olhar, mas de quem o vive. Procuramos observar usuários extremos, mapear as necessidades deles”, comenta.

Um exemplo de “usuário extremo” foi um cliente de internet banking que entrava várias vezes ao dia no sistema. “Eles nos chamou atenção”, diz Isabel. A equipe entrou em contato e descobriu que seus freqüentes acessos ocorriam para verificar se um depósito esperado já havia entrado na conta. A proposta, conta a consultora, foi a de criar um alerta para avisar ao correntista a chegada do dinheiro.

“Foi uma inovação incremental. Olhar para a vida das pessoas é muito interessante para esse fim”, avalia.

Visualização

É importante desenhar e colocar todas as informações no papel. “Trabalha-se de forma muito visual para não perder o foco”, diz.

Um dos modelos utilizados, por exemplo, é o business model canvas, que funciona como uma fotografia da organização. “É uma maneira de mostrar o negócio ao cliente e ele entender o que está ocorrendo. Só de olhar, já se captura a realidade e isso ajuda a ver o que tem de fazer de diferente para um negócio futuro”, expõe.

Colaboração

Misturar profissionais de diferentes formações e áreas de conhecimento enriquece e facilita o design thinking, porque as soluções mais inovadoras surgem da diversidade, diz Isabel. Isso é mais relevante, ainda, nos momentos de identificar as idéias e analisá-las.

“Certa vez, inserimos ator especializado em improviso e até astrólogo para analisar as ações e dar suas visões. O olhar diferente contribui para a descoberta”, destaca.

Tangibilização

Tangibilização, segundo Isabel, é o processo de tirar as ideias da cabeça, onde são abstratas, e concretizá-las de alguma forma: desenho, maquete, encenação, etc. Quando se faz isso, o profissional é obrigado a detalhar, aprende fazendo e recebe o feedback dos outros a respeito do que fez.

A intenção é permitir a visualização ao máximo.

Etapas

Esses pilares norteiam as etapas do processo, que são imersão, ideação e prototipação. Como a própria palavra “imersão” sugere, a equipe deve se debruçar sobre o negócio e suas situações para levantar o máximo de informações sobre a execução e os impactos nos usuários.

Vale enviar pesquisadores a campo para entrevistar usuários, vivenciar as experiências desses públicos, filmar as atividades para depois observá-las e até criar personagens fictícios para pensar em como resolver a vida deles, como ferramenta para liberar as ideias.

Ideação é o processo de geração de ideias. Geralmente usam-se ferramentas (como desafios, personagens, etc) criadas na etapa anterior (de imersão) para criar foco, com o objetivo de gerar ideias assertivas e inovadoras. É indicado envolver pessoas com perfis diferentes para gerar o maior número de ideias possíveis que depois serão selecionadas e refinadas.

O passo seguinte é a prototipação, nome da etapa em que se testam os conceitos para validá-los. “Esse processo é cíclico e estamos constantemente querendo entender a percepção das pessoas a respeito das soluções geradas para poder aperfeiçoá-las de forma a chegar a uma solução final assertiva para colocar no mercado”, adverte. “No design thinking, prega-se errar cedo para reduzir o risco. A prototipação é a chave desse processo”, conclui.

A seleção das idéias depende do contexto e das estratégias da organização. As escolhas devem considerar fatores como a complexidade de cada proposta, o investimento necessário e o tempo de realização, entre outros.

Isabel destaca que nem sempre a solução mais criativa será a mais diferente, mas aquela mais adequada às necessidades da organização no momento.

“Inovação é uma atividade contínua. Ela significa trazer soluções para o mercado que gerem resultado financeiro para a empresa”, define.

Livro para baixar

Isabel indica o livro Design Thinking, assinado por profissionais da consultoria em que trabalha, para quem quer saber mais sobre o tema. A obra pode ser baixada gratuitamente clicando aqui.

A seguir, a íntegra da apresentação da diretora no comitê aberto de Inovação da Amcham – São Paulo, na terça-feira (25/3):

 


 

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