Produzir patentes é importante, mas só com licenciamento de tecnologias haverá mais empregos e renda

publicado 23/10/2013 12h27, última modificação 23/10/2013 12h27
São Paulo – UFMG, Unicamp e USP defendem parcerias mais estritas com as empresas
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“Não adianta mostrar o número de patentes produzidas no Brasil. O que precisamos é de mais licenciamentos – direito de explorar comercialmente uma patente –, que são os que geram empregos e riqueza”, afirma Milton Mori, diretor executivo da agência de inovação Inova Unicamp.

Em um momento onde as atenções estão voltadas ao volume incipiente de criação de patentes no Brasil, acadêmicos da Unicamp, UFMG e USP que participaram do comitê de Inovação da Amcham – São Paulo na terça-feira (15/10) chamaram a atenção para esse aspecto, que consideram mais importante.

Se as pesquisas das universidades não estiverem bem alinhadas com os objetivos comerciais das empresas, a quantidade de licenciamentos de propriedade intelectual não vai aumentar no ritmo necessário para influenciar a economia, ressalta Pedro Vidigal, professor associado e diretor do CTIT (Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica) da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Empresas e escolas têm que estar de espírito aberto para uma relação onde ambas possam ganhar. A empresa vai lucrar com um novo produto e a universidade também, para reinvestir na ampliação dos departamentos de pesquisa e desenvolvimento”, destaca Vidigal.

Desenvolver parcerias direcionadas também é uma forma de sair na frente da concorrência e vencer a burocracia. “Quando tenho uma patente em co-titularidade, a empresa terá preferência na exploração comercial. E facilita muito para a universidade, porque ela não precisa abrir edital de concorrência e pode negociar diretamente com a empresa”, aponta Flávia do Prado, agente de inovação do pólo Ribeirão Preto da Agência USP (Universidade de São Paulo) de Inovação.

Em uma escala de prioridades, os licenciamentos de patentes estão no topo da lista. “É importante ter indicadores de produção de patente e fomentar a proteção do conhecimento. Mas o mais importante é a criação de produtos.”

Licenciamentos x Patentes

Dados fornecidos pelas três universidades mostram que a relação de licenças sobre o total de patentes depositadas é maior na UFMG: 15,2%, seguidas pela Unicamp e USP.

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