Profissional de finanças tem que ser cientista de dados e piloto de carro

publicado 26/06/2018 14h55, última modificação 28/06/2018 13h32
São Paulo – Para Wagner Ruiz, da fintech Ebanx, integração de TI e Finanças é essencial

As transformações tecnológicas vão fazer do profissional de finanças do futuro um misto de piloto e pesquisador, afirma o CFO da fintech Ebanx, Wagner Ruiz. “Hoje em dia, meu cara do financeiro sabe entrar no banco de dados e fazer uma query [extração de informações]. Virou um pesquisador de tecnologia. Mas também um piloto de precisão, que precisa controlar o carro”, disse, no CxO Fórum da Amcham em 20/6.

Ruiz participou do debate ao lado de Alexandre Baulé, diretor de transformação digital da Embraer, e André Takahashi, CFO da corretora de seguros Marsh. As discussões foram moderadas por Deborah Vieitas, CEO da Amcham.

Os painelistas concordaram que agregar competências em Tecnologia da Informação (TI) é uma necessidade imediata para a área de Finanças e decisiva para se adaptar às transformações digitais do futuro.

“Nos hackatons (maratona hacker para solucionar problemas tecnológicos) que fazemos na empresa, há troca de conhecimento entre financeiro e tecnologia”, detalha Ruiz. “O pessoal de TI adora, porque aprende regras de negócio que nem sabia que existiam. E o financeiro, que tem a regra de negócio na cabeça, acaba aprendendo um pouco de TI”, acrescenta.

A integração de conhecimentos ajuda as áreas a “entender as dores” de cada um, acrescenta Ruiz. Como exemplo, citou um desenvolvedor que revelou que um cálculo de conciliação financeira deu 0,5% de erro em relação ao volume total. Uma margem que considerou aceitável.

Ruiz questionou o desenvolvedor dizendo que 0,5% de erro na operação em questão, que totalizava 5 bilhões de transações, estava muito longe de ser aceitável. “Ele não tinha a dimensão dessa realidade porque não tinha a visão do financeiro, não entendia as dores da área”, explica.

Cultura digital

A integração de conhecimentos será mais bem sucedida se a empresa estiver aberta para ela, acrescenta Ruiz. “Um ambiente aberto, com cultura organizacional favorável, ajuda muito nisso.”

Baulé, da Embraer, reforça que a criação de uma cultura organizacional que estimule o desenvolvimento de estratégias de comunicação será determinante na atração de talentos digitais. “Falta gente em todas as áreas. É por isso que temos que usar o poder alavancador das tecnologias digitais para otimizar funções”, comenta.

O fim da média gerência?

Outra tendência organizacional apontada com a chegada das tecnologias digitais é o achatamento de estruturas hierárquicas. A agregação de competências terá como uma das consequências a delegação de projetos a profissionais de nível operacional, acrescenta Baulé, da Embraer. “A liderança terá cada vez mais o componente situacional. Vai ser normal algum analista ser líder de projeto.”

Em relação ao fim da média gerência no futuro, Takahashi, da Marsh, acha pouco provável. “Sou cético quanto ao achatamento das médias gerências. Isso mexe muito com as estruturas, o que só deve acontecer em um futuro mais longo”, afirma.

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