Quatro passos para ser mais digital e contornar a paralisação provocada pelo coronavírus

publicado 17/04/2020 18h45, última modificação 17/04/2020 18h45
Brasil – Estratégia de curto prazo, organizar estrutura, sustentar projetos e consolidar cultura de colaboração são necessários para dar continuidade ao dia a dia da organização
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Para Carolina Kia, CEO da Weme, empresas que souberem operar de forma resiliente emergirão muito forte após a crise

Como manter o dia a dia de trabalho da sua empresa durante a paralisação do coronavírus? Para algumas empresas, oferecer uma experiência do cliente e tocar projetos da mesma forma como era presencialmente está sendo um desafio maior. “A presença física é muito importante nas operações principalmente para os times de liderança e de inovação”, pontua Lilio Neto, Diretor Geral de Inovação da DHL.

Entretanto, é possível contornar esse problema, segundo Carolina Kia, CEO da Weme. Para ela, as empresas que souberem operar de forma resiliente emergirão muito forte após a crise. “Sempre existiram fatores que forçaram a gente como indivíduos ou como organizações a nos reprogramar em maiores ou menores proporções, mas temos que sempre estar preparados para mudar a nossa rota”, afirma. A executiva participou de nosso webinar "Como contornar a paralisia e acelerar em momentos de incerteza", realizado no dia 15/04.

A afirmação da executiva foi baseada em um estudo de Harvard no qual foram avaliadas 4.700 empresas por três anos antes, durante e depois das crises dos anos 80, 90 e 2000. O resultado foi que apenas 9% do total dessas companhias prosperaram. Para isso, ela acredita que existem quatro pontos fundamentais para contornar essa situação –que estão sendo colocados em prática e tendo sucesso na Weme.

 

REPROGRAME A ESTRATÉGIA DE CURTO PRAZO

Para isso, é preciso uma mudança de mindset de um modelo mental de inside out para outside in. Assim, é possível entender as dores e os anseios dos clientes e saber como a empresa pode aliviar essas dores e potencializar os ganhos. Tudo isso focado no curto prazo e nas necessidades de agora, não futuras.

Dentro disso, faça uma revisão de portfólio: liste os seus principais clientes e o que você já sabia sobre eles; identifique quais são as principais mudanças no contexto pelas quais eles passaram; identifique novas necessidades ou dores que possam surgir para esses usuários a partir dessas mudanças, e identifique os produtos ou serviços que você já tem no portfólio ou que precisam de adaptações, aceleração de vendas, exploração e desenvolvimento ou descontinuidade.

Além da revisão de portfólio, Carolina sugere o que ela chama de ‘Short Shot Plan’, que consiste em listar seus objetivos e o período para tiro curto; listar e priorize projetos e iniciativas; votar em iniciativas para eliminar, reduzir, manter, ampliar e criar, e designar times responsáveis para obter os resultados esperados.

 

REORGANIZE A ESTRUTURA

“Já que tudo está tão rápido, preciso ter uma flexibilidade na minha estrutura”, analisa Carolina, questionando se faz sentido ter unidades de negócios por cidade, uma vez que as barreiras físicas caíram completamente. “Para nós, não faz mais sentido, por exemplo”, conclui. Na Weme, toda a estrutura foi reorganizada e toda a equipe faz parte de quatro grandes times.

 

SUSTENTE PROJETOS IMPORTANTES NO AMBIENTE VIRTUAL

A Weme realizou um hackathon de 48h em um fim de semana e o time completo, de forma online, repensou todos os produtos para o formato digital. Segundo Carolina, a startup tem em torno de oito produtos com toda a jornada repensada para o digital. “E esse processo não é apenas uma câmera no computador e cada um na sua casa, tem vários detalhes e nuances para encantamento que devem ser consideradas”, pontua. Assim, é preciso pensar nos produtos de portfólio, na estratégia e entender o que mudou, ao invés de simplesmente passar tudo para o digital: pense quais são os seus pontos fortes e como manter isso tudo no digital.

Além disso, compreender as mudanças pelos olhos dos clientes, fazer uma síntese rápida, rever constantemente o cenário, levantar hipóteses baseadas em dados e testar são as chaves para o sucesso dos projetos. “Tenha sua tese e sua hipótese do que vai acontecer e faça testes em cima dessas hipóteses”, aconselha Carolina.

 

CONSOLIDE A CULTURA DE COLABORAÇÃO REMOTA

A Weme conta com um formato de digital room com oito boxes de temas específicos, desde colaboração remota até saúde mental, de forma gamificada, interativa e divertida para proporcionar uma melhor experiência remota aos colaboradores. “Devemos passar a mesma experiência do cliente ao colaborador”, explica a executiva da startup.

Ela não descarta a necessidade de seriedade em alguns momentos, mas acredita que grandes decisões que impactam toda uma organização precisam ser leves porque a saúde mental nesse momento é muito importante. Carolina não recomenda muitas reuniões sérias, totalmente focadas e longas seguidamente; é preciso dar um respiro à equipe com brincadeiras, descontração e happy hour virtuais para deixar a criatividade fluir.

 

O QUE SÃO OS WEBINÁRIOS?

São transmissões ao vivo de bate-papos e entrevistas, exclusivos online, sobre diversos assuntos do mundo empresarial.

PARA QUEM SÃO?

Para todos os associados, sem limites de participantes, sendo encontros online e gratuitos.

COMO FUNCIONAM?

São diversas atividades online ao ano disponibilizadas em tempo real e através da plataforma Amcham Connect.