Quer ser um líder digital? Use dados nas decisões executivas, diz Gartner

publicado 09/05/2019 15h12, última modificação 10/05/2019 11h34
São Paulo - Executivos precisam 'abandonar' a formula intuição e experiência nas estratégias de gestão com ambição digital
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Arnaldo Aimola, da Gartner no CxO Fórum de São Paulo

No caminho da transformação digital, a consultoria Gartner revela que a alta gestão das empresas ainda está aprendendo a tomar decisões embasadas em dados, e não somente na experiência e intuição. “Usar dado para uma tomada de decisão tem barreira cultural? Tem. Porque eu paro de tomar decisões, muitas vezes, baseadas na experiência de quem faz aquilo há dez, quinze anos. E passo a colocar inteligência e informação”, argumenta Arnaldo Aimola, gerente-executivo da Gartner para o Brasil.

Ele cita o exemplo de um profissional que lidera a conversão de leads. “E aí você para e não pode converter mais por causa disso (porque chegou a um limite)? Se eu pegar, coletar dados e colocar inteligência analítica no processo, pode ser melhor”, explica, no nosso CXO Fórum em São Paulo, em 7/5.

É indiscutível a importância da coleta e análise de dados nas empresas, destaca o executivo. Em uma pesquisa da Gartner feita sobre o tema, o ponto que chama atenção é a familiarização dos tomadores de decisão em relação às informações geradas por inteligência analítica. Não é simplesmente apresentar dados de Business Intelligence ou Analytics, mas “falar a mesma língua”, conta Aimola.

“De acordo com nossas pesquisas, o CEO está falando em ter dados de indicadores de performance, de forma que ele entenda melhor, para que faça uma previsão, seja de vendas ou produção.”

Não se trata de aumentar a coleta de dados, mas fazer com que eles sejam usados, de fato, para embasar decisões. O CEO precisa dessas informações em um formato onde ele possa extrair análises para a tomada de decisão, continua Aimola.

“Para quem é de TI, falar de dados é simples. Mas talvez não seja tão simples para quem se formou em economia ou marketing. Do mesmo jeito que, para uma pessoa de TI, ler um balanço talvez não seja tão simples”, compara.

Além de traçar um panorama do uso de tecnologias digitais, Aimola disse que o futuro da transformação digital está no que a Gartner chama de inteligência aumentada. “A evolução da jornada digital não é na plataforma, mas no que chamamos de inteligência aumentada. É juntar tudo de forma muito simples. É a inteligência artificial com robôs, com trabalho mais inteligente, conectado e se retroalimentando dentro de um sistema cultural”.

5G no Brasil

No debate sobre a tecnologia de conectividade 5G, André Sarcinelli, diretor de tecnologia da Claro, disse que ela deve chegar ao Brasil em 2021. “Teremos um leilão de 5G previsto em 2020, mas só em 2021 que vão aparecer alguns casos de necessidade se materializando em muitas cidades”, observa.

Quando instalado, o 5G vai possibilitar velocidades de conexão até dez vezes maiores que as da tecnologia 4G. “Se no 4,5G você tem conexões de até 100 megabites por segundo (Mbps), no 5G veremos 1 gigabite por segundo (Gbps).

A velocidade do 5G é essencial para desenvolver carros autônomos e a indústria 4.0, detalha Sarcinelli. “É uma tecnologia que reduz a latência para 2 milissegundos. Hoje, ela é de 40 milissegundos. Ela habilita o uso de carros autônomos. Porque não dá para ter, hoje, um carro que demora 5 segundos para frear.”

As operadoras terão muito trabalho para adequar as estruturas de conectividade, detalha o executivo. É preciso construir novas antenas, o que esbarra na burocracia das licenças, e data centers por todo o Brasil.

“Imagine um carro autônomo de São Paulo rodando em Manaus. Para frear, a informação vai para São Paulo e depois volta com a decisão. É um delay (atraso) grande. Todas as operadoras terão que levar o processamento e a tomada de decisão para próximas do terminal.”