Startups e grandes empresas: como estabelecer relações que produzam mais inovação?

publicado 17/09/2018 16h37, última modificação 17/09/2018 17h48
São Paulo – Klabin, Braskem e colaboradores compartilharam aprendizados sobre negócios em conjunto

“Foram dez anos para sair uma planta do papel - com toda a tecnologia e conhecimento que tínhamos dentro da Braskem. Essa é a realidade de uma grande empresa: a gente trabalha em projetos de longo prazo, com muita engenharia, tentando diminuir o risco ao máximo, mantendo o cronograma e orçamento”. Baseado em um fato que aconteceu em sua empresa, Luiz Gustavo Ortega, Head do Braskem Labs, resume o drama de uma grande corporação: a demora em concretizar projetos. O problema é que agora as mudanças têm acontecido de maneira muito mais veloz do que antigamente. Como maneira de transformar produtos e serviços e acompanhar o mercado, grandes corporações tem procurado fazer parcerias com startups.

Enquanto as grandes empresas enfrentam a dificuldade de inovar e demoram para responder a rapidez do mercado, as startups têm dificuldades em lidar com a carga tributária, burocracia, acesso a crédito e talentos. Essa complementaridade faz com que a busca por parcerias entre as grandes e as pequenas seja grande. Mas qual é o melhor tipo de parceria para que todos saiam ganhando? Como garantir que seja produtivo para a grande empresa?

1. Não vale copy paste

Renata Freesz, diretora de Inovação da Klabin, lembra que um erro comum é copiar modelos de parcerias de outros lugares sem considerar a cultura da organização. Isso pode inclusive expelir a startup. “O início dá mais trabalho. Na Klabin, percebemos áreas que são mais abertas à inovação e outras menos. Por isso, buscamos engajar as pessoas corretas para que elas multipliquem [esse mindset]. É um exercício de resiliência. se for seguir o padrão de contratação, ás vezes uma startup não seria contratada”, explica.

2. Repense processos

Antes de fechar qualquer tipo de parceria, o contato com a startup é um ótimo momento para rever processos. Rogério Nogueira, Fundador da startup Allya (antiga Colaboradores), lembra que muitas vezes a contratação da grande empresa é muito engessada, o que não faz sentido no momento de estabelecer relações com uma startup. “Empresas que querem inovar: aproveitem o momento em que se discute inovação para rever processos internos. É ideal para se questionar: isso aqui ainda se aplica? Isso ainda é necessário? Vemos isso com frequência em processos de contratação [de startups]”, exemplifica.

3. Para inovar, é preciso errar

O processo de inovação, como lembra Nogueira, é todo baseado em validação e experimentação. “É um processo científico baseado em dados, não tem que dar certo ou errado. A inovação tem que ser validada ou não, se com ela dá para gerar economia, se ela faz diferença ao negócio. Se descobrir que não deu, ótimo, foi validado que não deu”, indica. Por isso, é essencial incentivar a tentativa e levar os erros como oportunidade de aprendizado.

4. Fomente o intraempreendedorismo

Muitas vezes, as melhores ideias estão dentro de casa. A questão, para Nogueira, é que o intraempreendedorismo não está sendo incentivado. Não é dado tempo ou espaço o suficiente para que colaboradores comecem a inovar:Se é esse o caso, então vamos discutir gestão de tempo, o que é preciso mudar para puxar a inovação”.

Exemplos e iniciativas

Na Klabin, a inovação fica dentro de uma diretoria que engloba tecnologia, inovação, sustentabilidade e projetos, graças a crença da empresa de que todos esses fatores estão vinculados.

Entre diversas iniciativas, a Klabin lançou no início de 2018 o Desafios Klabin. O programa lançou sete desafios reais da companhia para que startups apresentassem soluções para cada um deles. Entre as cadastradas, 28 foram selecionadas para participar. A ideia é que, no fim do ano, a empresa contrate as que apresentaram os melhores produtos. A avaliação será feita por funcionários da Klabin, que acompanham a evolução dos grupos.

O Braskem Labs, por sua vez, é a plataforma de inovação da Braskem. São três programas tocados simultaneamente, todos com foco em inovação e sustentabilidade. Todas as startups que se inscrevem em qualquer programa devem atender a pelo menos um dos Objetivos Sustentáveis (ODS) da ONU. Há programas para startups em estágios mais iniciais e também para mais maduras - o que aumenta o escopo de interação da empresa com o ambiente de inovação.