Universidades incentivam projetos colaborativos para desenvolver patentes industriais

publicado 21/10/2013 10h33, última modificação 21/10/2013 10h33
São Paulo – UFMG, Unicamp e USP contaram como desenvolvem pesquisa tecnológica com empresas
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As parcerias com o setor privado são a melhor forma de as universidades ajudarem a gerar inovação. Representantes de três universidades com destacada produção científica – UFMG, Unicamp e USP –  mostraram como as instituições vêm gerenciado a tecnologia, no comitê de Inovação da Amcham – São Paulo da terça-feira (15/10).

UFMG

Para apoiar o desenvolvimento de inovação industrial e empreendedorismo, a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) procura se envolver tanto na produção tecnológica, como na negociação das licenças de uso das patentes.

 “Criamos um núcleo de inteligência de mercado, que atua fazendo valoração de tecnologia, potencial de mercado e gestão de portfólio”, afirma Pedro Vidigal, professor associado e diretor do CTIT – Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica – da UFMG.

“Ele é muito importante para avaliarmos o valor da tecnologia e o seu retorno potencial, importantes no processo de licenciamento (de patentes)”, continua o professor. Na universidade, o CTIT é responsável pelo incentivo à produção tecnológica e avaliação do potencial mercadológico e está subordinado à Pró-reitoria de Pesquisa da UFMG.

Alguns dos projetos desenvolvidos na universidade incluem a melhoria da aerodinâmica de um avião de competições que resultou em alto desempenho, uma vacina contra a leishmaniose (zoonose comum ao cão e ao homem) e uma veste tecnológica que diminui o impacto sobre articulações, tendo aplicações terapêuticas e esportivas.

Para Vidigal, a melhor forma de gerar inovação é em parceria com as empresas. “Com pesquisa colaborativa, a empresa fala o que quer e direciona o trabalho, porque sabe que há mercado para o produto a ser lançado.”

O UFMG disponibiliza para consulta o currículo dos pesquisadores e suas áreas de atuação. “Muitas empresas nos procuram para parcerias, e indicamos professores. Mapeamos os que atuam na área e a empresa seleciona os de maior interesse. Depois, marcamos um workshop para a empresa conversar com os professores e decidir qual se encaixa no projeto”, comenta Vidigal.

Toda a tecnologia desenvolvida em parceria pertence à universidade, ressalta Vidigal. “Por lei, toda universidade tem que ter a titularidade da patente. Pode, no máximo, dividir a co-titularidade com a empresa ou o pesquisador”, explica o professor. Mas o percentual de remuneração é negociável, comenta ele.

Dados de 2012 da UFMG indicam que a universidade possui 2.819 professores docentes (cerca de 85% são doutores) para ensinar 31.775 alunos de graduação nos 75 cursos disponíveis, e mais 14.782 estudantes de pós-graduação.

Unicamp

Milton Mori, diretor executivo da Inova Unicamp – agência de Inovação da universidade –, também acha que a parceria no desenvolvimento de tecnologias é a melhor saída para acelerar a criação de inovações.

“Elas são as que dão mais certo. Como exemplo, começamos uma pesquisa com a Cargill na área de alimentos que se transformou em um royalty e uma patente, no valor aproximado de R$ 2 milhões anuais”, conta Mori.

As parcerias da Unicamp envolvem projetos colaborativos de pesquisa, banco de patentes (que podem ser desenvolvidos por terceiros) e spin-off (pesquisas e empresas nascidas na universidade). Entre os casos de licenciamentos bem-sucedidos estão o da Cargill (alimentos), uma pomada que abrevia o tempo de cicatrização em pacientes diabéticos (“há dois investidores internacionais interessados”).

Outro projeto é o de dois estudantes de engenharia elétrica que aperfeiçoaram um semi-condutor que, ingerido, serve para realizar exames de colonoscopia e endoscopia a um custo muito baixo. Também há investidores internacionais para o projeto, segundo Mori.

Na Unicamp, praticamente todos os 1.739 professores possuem PhD (99%) para dar aulas a 18.026 alunos de 66 cursos de graduação, e 22.824 alunos de pós-graduação.

USP

Responsável por cerca de 30% da produção científica do Brasil, a USP – Universidade de São Paulo –, possuía em 2010 pelo menos o triplo de professores da Unicamp: 5.865 (99% de doutores), para dar conta da demanda dos 88.962 alunos de graduação. O órgão encarregado de fomentar a pesquisa tecnológica é a Agência USP de Inovação, subordinada à Pró-reitoria de Pesquisa da universidade.

“O trabalho da agência USP é dar suporte aos pesquisadores, funcionários e discentes na geração de propriedade intelectual, promover a criação de licenciamentos e acordos colaborativos com as empresas e fomentar a cultura e capacitação do empreendedorismo”, descreve Flávia do Prado, agente de inovação do pólo Ribeirão Preto da Agência USP de Inovação.

Para aproximar pesquisadores e empresas, a USP promove seminários de inovação e empreendedorismo ao longo do ano. “Identificamos professores com potencial para parcerias em pesquisas de seus respectivos campos de conhecimento e promovemos os encontros”, conta Flávia.

Entre os projetos desenvolvidos, estão um bisturi ultrassônico para procedimentos cirúrgicos, um tratamento para micose e um medicamento para prevenção e tratamento de náuseas e vômitos.

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