“Falta de compliance destrói valor rapidamente”, afirma CEO da Petros

publicado 23/08/2018 17h32, última modificação 24/08/2018 18h19
São Paulo - Walter Oliveira lembra que a área é a linha de defesa da organização e de seus colaboradores

Para Walter Oliveira Filho, CEO da Petros, existe uma crença de que a governança e o compliance atrapalham a eficiência dos negócios por trazer mais burocracia. O executivo afirma que essa premissa é falsa: “A falta de compliance destrói valor rapidamente e há muitos casos aqui e no exterior que comprovam isso. O compliance tem que ser aplicado e colocado em prática com bom senso, e isso não significa ser flexível com leis e regras. Se o topo da organização quer que ocorra de maneira automática, sem se envolver, a área pode se tornar burocrática. Mas, se a liderança se envolve, participa, acompanhando tudo, é possível organizar e colocar dentro de um trilho”, opinou, durante o V Fórum de Compliance da Amcham - São Paulo (17/08).

O especialista participou de um painel para debater as expectativas de um CEO frente a área de compliance. Com ele, participaram a Takeda e a Thompson Reuters, além da mediação de Ana Paula Carracedo, diretora de Compliance, Risco e Governança da Votorantim.

Logo que assumiu a posição na Petros, Oliveira viu a organização passar por uma operação da Polícia Federal. Na época, as políticas de compliance eram muito fracas - o que permitiu com que o programa fosse construído praticamente do zero. Ele recorda que essa é uma área estratégica e parceira do negócio: “O compliance é a linha de defesa da organização e das pessoas que estão lá. É a área parceira, pois aponta os problemas da empresa. No Brasil, com todas essas operações, fica até mais fácil mostrar a necessidade de mudança. Não é burocracia, é algo necessário”, ressaltou.

 

Como implementar o compliance?

Na Petros, o programa foi construído de maneira a dar independência a um comitê, formado por gerentes de diversas áreas como o jurídico, ouvidoria, auditoria e risco e compliance. Esse grupo que recebe, apura e decide se a investigação vai para frente. Caso encontrem irregularidades, também são os responsáveis por encaminhar o relatório a Ministério Público. “Em nenhum momento a diretoria ou conselho são envolvidos. O que fizemos foi empoderar uma área técnica, com gerentes dessas áreas. A diretoria não poder de impedir uma investigação e nem tem o domínio de como ela é feita. Antes, só o diretor poderia pedir uma investigação ou dar continuidade ao processo. Além disso, os gerentes de auditoria de risco e de ouvidoria só podem ser mandados embora pelo conselho”, compara.

Renata Campos, CEO da Takeda, conta que a proximidade entre os executivos de compliance e o CEO ajuda a garantir a implementação do programa de ética. A organização possui diversos treinamentos internos relacionados a ética, com partes online obrigatórias e workshops presenciais também.

“Temos diversificado a forma de treinamento. Tem os online que são mandatórios, de sensibilização do tema, e que ano a ano vem crescendo em termos: 96% dos funcionários já completaram. Estamos também conduzindo treinamentos através de workshops. A ideia é dar relevância dentro das discussões de negócios”, explica. Outra estratégia que tem dado certo também é convidar pessoas de fora da organização e da indústria para falar sobre o tema e refletir sobre ele e seus impactos na tomada de decisão.

A preocupação com o tema acaba engajando os funcionários, segundo a executiva: “Vemos na pesquisa entre colaboradores que um dos scores mais altos é o orgulho em relação a ética e compliance. Conseguimos envolver o sentimento de pertencer e o nível de engajamento, trazendo o orgulho de trabalhar em uma empresa cujo programa de compliance é sólido”

Um dos maiores desafios atualmente, segundo Santiago Ayerza, CEO da Thomson Reuters, é trazer a mensagem do compliance de maneira clara, em uma linguagem que seja compreensível para todos. “Temos que ser criativos, pois é um tema não é tão claro de primeira. O departamento de compliance trabalha com a liderança para bolar mensagens com criatividade, com gamification”, conta.

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