Cultura do brasileiro é rasa quando se fala em combate a corrupção, afirma especialista

publicado 10/07/2018 09h24, última modificação 10/07/2018 09h39
Campo Grande - Mauricio Roncato deu dicas de como construir um programa de compliance e de gestão de riscos
Comitê Estratégico de Economia e Finanças

Para especialista, Lava Jato foi um grande passo para refletir sobre gestão de riscos, integridade corporativa e compliance

Apesar de mais discussão sobre combate a fraudes e corrupção, a cultura do brasileiro ainda é rasa quanto ao assunto. Essa é a avaliação de Mauricio Roncato Piazza - Professor de Pós Graduação nas instituições FESP (Faculdade de Engenharia de São Paulo/Brasiliano e Associados) e FIA (Fundação Instituto de Administração). O convidado especial do comitê Estratégico de Economia e Finanças da Amcham – Campo Grande falou sobre compliance e gestão de riscos no dia 26/06.

“O brasileiro precisa olhar um pouco para dentro de si em pensar em ser íntegro, em integridade. Porque enquanto ele faz pequenas ações que não são íntegras durante o dia, ele não tem como fortalecer isso [a cultura anticorrupção] na sociedade. Antes de serem políticos, eles são brasileiros, tem a mesma base de todos nós. Cada um ter que fazer o dever de casa”, comentou.

O especialista lembra que a Lava Jato foi um grande passo para o setor privado refletir sobre assuntos como gestão de riscos, integridade corporativa e compliance. “E esse assunto precisa ser cada vez mais discutido. Comecei a trabalhar em gestão de risco e prevenção à fraudes em 2008 e passei por várias fases de evolução desse assunto, e ele nunca evolui tanto quanto agora”, ressaltou.

Como montar um programa de compliance fortalecido?

Independente de a empresa ser pública ou privada, Roncato cita alguns elementos essenciais para a construção de uma política de compliance efetiva. Um dos primeiros é a cultura da empresa. “Costumo falar em compliance viável: quando o compliance é viável? Quando consegue entender o negócio, a cultura da empresa. A pessoa que está fazendo esse trabalho precisa manter elos com áreas importantes da empresa, construir o programa baseado em integridade e em sua viabilidade”, resume. Por isso, o trabalho deve envolver a implementação de uma área de avaliação de risco proativa, que consiga identificar e antecipar questões; outra área importante é a de controles internos, para que possa dar segurança a esses processos da companhia. Uma equipe de treinamento e comunicação para difundir o assunto na organização, auditorias para ter um monitoramento eficiente e engajamento da alta liderança são outros aspectos importantes. “Precisa ter engajamento de diversos setores e áreas, transformando em uma questão global na companhia”, comenta.

E no caso de flagrar um caso ilícito?

Quando o empresário descobre um ato ilícito dentro da organização, isso é um sinal que a gestão de risco já falhou, já que não conseguiu antecipar esse risco e agir proativamente. “É claro que tem que trabalhar de maneira reativa e proativa, abrir um inquérito policial, se for funcionário, e dispensar por justa causa, amparado pela área jurídica”, comenta. O mais importante nesse caso é que depois do fato, é necessário rever a gestão de riscos, com o objetivo de embutir novos elementos para que a empresa não seja mais pega de surpresa.