Diretor de compliance da BRF dá dicas de como gerir crises

publicado 16/08/2019 11h16, última modificação 16/08/2019 15h00
São Paulo – Treinamento de porteiro e equipe do TI para casos de busca e apreensão é exemplo do que deve estar no radar das companhias
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Diretor de compliance da BRF, Reynaldo Goto, durante o nosso Fórum de Compliance

Olhar com cuidado o canal de denúncias, ter um bom porta-voz para momentos de crise e preparar os colaboradores para situações de inconformidade são algumas das dicas do Diretor de Compliance da BRF, Reynaldo Goto. A empresa esteve nos holofotes da mídia quando foi deflagrada uma operação de corrupção envolvendo alguns dos seus executivos.

“Saber como atuar em uma situação de busca e apreensão é importante e isso não é comumente levado em consideração”, afirma. O executivo lembra ainda que, nesses casos, equipes estratégicas necessitam de preparação, como os porteiros e equipe do TI, por exemplo.

Goto frisa que os novos sistemas de integridade que estão sendo implantados nas empresas devem ter como pilares a detecção e a pronta resposta da empresa em casos de crise.  Na visão dele, agilidade é fundamental nesses momentos, porém com a cautela: “As empresas devem estar devidamente preparadas, inclusive treinando as principais pessoas envolvidas para eventuais crises reputacionais.”

Além disso, ele lembra que, uma vez a crise gerada, ter um bom porta-voz é essencial. “Prepare pessoas que vão falar em nome da empresa e, principalmente, quem não poderá falar em nome da empresa”, menciona o executivo da BRF, lembrando que a linguagem usada para comunicar a imprensa e prestar esclarecimentos deve ser a mais clara possível.

Goto esteve presente durante o nosso Fórum de Compliance, na última sexta-feira (09). Ele dividiu o palco do evento com a colunista do jornal Estadão Eliane Catanhêde e com sócio da Moraes Pitombo Advogados Guilherme Nostre.

Segundo Catanhêde, o porta-voz que defende a imagem da companhia perante a imprensa deve sempre falar a verdade e passar confiança. “O jornalista percebe quando o porta-voz entra em pânico”, conta. Ela esclarece também que agilidade da equipe para esclarecimentos é crucial: “Conte a sua versão da história o quanto antes.”

BOAS PRÁTICAS

Levando em consideração a visão jurídica, Nostre afirma que existem dois tipos de gestão de crise: a de empresas com predisposição para agir contrária à lei e a de empresas com a intenção de trabalhar de fazer a coisa certa. “O executivo que não tem consciência da ilicitude é diferente daquele que pratica atos ilícitos com a consciência do que está fazendo”, declara.

Desta forma, ele conta que é preciso prevenção para evitar os chamados ‘bad documents’ – documentos redigidos de forma ambígua que podem abrir margem para inúmeras interpretações. “Revise documentos, tanto internos quanto externos, e apenas assine o que está totalmente claro; caso contrário, exija a revisão do contrato”, explica, lembrando que, caso ocorra alguma investigação, nunca se deve apagar provas (documentos, e-mails, etc.).