Empresa que está do lado do funcionário não sofre com greve, afirma advogado

por marcel_gugoni — publicado 24/01/2012 11h02, última modificação 24/01/2012 11h02
São Paulo – Transparência com colaborador é principal ferramenta para evitar disputas trabalhistas.

A empresa que envolve seu trabalhador e alinha as tarefas dele aos objetivos corporativos tem um grande aliado. Ignorar essas tarefas básicas e agir de forma pouco transparente com os colaboradores é receita certa para enfrentar problemas trabalhistas, como afirma o advogado Luiz Felipe Tenório da Veiga, especialista em Direito do Trabalho. 

Ele participou nesta terça-feira (24/01) do comitê de Legislação da Amcham-São Paulo e falou sobre a importância das negociações coletivas feitas com harmonização entre as empresas e seus empregados.

Não ouvir as necessidades dos funcionários é ruim, porque pode resultar em eventuais paralisações, diminuição de ritmo de produção e até greve. O grande desafio das empresas é equilibrar os benefícios com as exigências. 

“Qualquer empresa é mais poderosa do que o trabalhador sozinho. Mas se uma classe se une para lutar contra um abuso, ela tem muita força. Se aquele grupo parar a atividade, a empresa não vai funcionar”, avalia o especialista, co-autor do livro Administração dos Riscos Trabalhistas (Lumen Juris, 2003)

“Acredito que tenha que existir envolvimento do empregado com os resultados. Quando há clareza do papel que ele tem que cumprir, ele se sente incluído”, afirma. “Quando há diálogo e boa relação entre patrão e empregado, há muito menos chance de greve.” 

Menos greves 

Veiga afirma que, atualmente, as greves têm diminuído. Os direitos trabalhistas consolidados e a boa situação econômica são os principais responsáveis por esse resultado. 

“Quando o País cresce, as greves diminuem. As paralisações estão muito associadas ao cenário de crise, porque as empresas têm menos a oferecer e os trabalhadores não querem ceder”, afirma. “Acabam as moedas de trocas de ambos os lados.” 

Apesar disso, ainda persistem graves problemas nas relações entre patrão e trabalhador: “A jornada excessiva e os acidentes são problemas independentes, que quase sempre estão interligados”, analisa. 

“O empregado que fica 14 horas na empresa está mais propício a ter um acidente do que o que cumpre as oito horas. Há casos de pessoas que ficam sem tempo de almoço, sem pagamento de horas-extras ou com pouco treinamento executando tarefas de risco.” 

Mesmos acidentes 

Números do Ministério de Previdência Social, que contabiliza os acidentes de trabalho, mostram que o total de ocorrências vem caindo nos últimos anos. Entre 2008 e 2010 (último ano consolidado das estatísticas), os acidentes típicos (aqueles que ocorrem dentro da empresa, por exemplo) passaram de 441,9 mil para 414,8 mil. 

Caso levem em conta os acidentes no trajeto para o trabalho ou afastamentos por doença, os números passam de 755,9 mil para 701,4 mil, na mesma comparação. 

“Os acidentes ainda apresentam números muito altos”, critica o especialista. “O assédio moral é sensível, mas não tem a expressividade dos acidentes ou do excesso de horas de trabalho.” 

O especialista afirma que “uma negociação coletiva saudável é importante [para empresas e para os trabalhadores]. Esse é um dado levado em conta para as empresas que querem abrir capital.” 

“Já o acordo mal feito, em geral, resulta em impasse – e aí todo mundo volta à mesa de negociação. Não adianta a empresa sempre querer levar vantagem porque, no próximo ano, haverá outra rodada de acordos. Serão negociados dez, vinte anos com aquele sindicato. Por isso a transparência e a lisura são essenciais.”

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