Empresas e sindicatos têm de priorizar desenvolvimento profissional e bom ambiente de trabalho nas negociações coletivas

por andre_inohara — publicado 08/06/2011 16h35, última modificação 08/06/2011 16h35
André Inohara
São Paulo – Trabalhadores estão mais interessados em melhores condições de carreira e benefícios do que em salários, e tendem a procurar instituições que ofereçam o desejado, argumenta advogado.
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As aspirações profissionais dos trabalhadores mudaram nos últimos anos, passando a girar em torno de novas perspectivas de carreira e melhor ambiente interno.

Diante do dinamismo da economia brasileira e da disputa acirrada pelos melhores quadros profissionais, empresas e sindicatos se voltam para  atender às novas reivindicações trabalhistas nas negociações coletivas.

“O conteúdo da negociação coletiva mudou. Não é mais como há alguns anos, quando as reuniões se concentravam em sobre quanto seria o reajuste salarial”, disse o sócio do escritório Peixoto & Cury Advogados Antônio Carlos Aguiar, que falou ao comitê estratégico de Diretores e Vice-presidentes Jurídicos da Amcham-São Paulo nesta quarta-feira (08/06).

Ele avalia que, há pouco tempo, o trabalhador tinha medo de perder o emprego, mas hoje não, porque há muito mais oportunidades de trabalho e os salários estão muito equiparados, inclusive entre diversas categorias.

O comprometimento do trabalhador em relação à empresa ou ao sindicato está diretamente relacionado aos resultados que ambos conseguirem obter para o seu colaborador ou associado. Uma nova geração de trabalhadores, mais imediatistas, está moldando a relação de lealdade das pessoas, afirma Aguiar.

“Se ele sair do setor de comércio e for para a prestação de serviços ou a indústria, receberá um salário parecido. Porém, se os benefícios forem levemente melhores em outro, o trabalhador não pensará duas vezes em optar pela nova colocação.”

Acordos coletivos conseguem flexibilizar a lei

Os departamentos jurídicos das corporações passaram a exercer funções de cunho estratégico nesse contexto, conta Aguiar. “Através dos acordos coletivos de trabalho, os executivos conseguem flexibilizar as relações de trabalho e, com isso, otimizar a lei.”

Acordos coletivos de trabalho têm o mesmo patamar de uma lei, analisa o advogado. “Com eles, é possível dar benefícios diferenciados ao trabalhador”, afirmou.

Entre as práticas mais bem sucedidas de acordos coletivos, estão os benefícios flexíveis. “Pela lei, não é possível fazer essa distinção”, segundo o advogado.

Dentro das opções de benefícios oferecidos pelas empresas, os trabalhadores podem personalizar escolhas de acordo com suas necessidades.

“Um funcionário mais jovem pode não ter a mesma preocupação com a previdência privada do que alguém mais velho. O recém-casado quer plano de saúde melhor e o solteiro, um vale-alimentação maior”, exemplificou.

Trabalhador quer ser reconhecido na empresa

Com o fantasma do desemprego afastado pela estabilidade econômica e o aquecimento do mercado de trabalho, as preocupações dos profissionais se voltam para a realização profissional.

“Se o trabalhador tiver a oportunidade de folgar no dia do seu aniversário, pode se sentir mais prestigiado do que se tivesse ganhado um bônus”, disse Aguiar.

Uma perspectiva de carreira internacional também seria bem vista, principalmente para a geração Y, mais questionadora e imediatista que as demais. “Para eles, o trabalho é um ingrediente de realização pessoal que não é nem mais nem menos importante (que os demais).”

Para Aguiar, tanto as empresas como os sindicatos estão deixando o discurso ideológico de lado e enxergando os trabalhadores como clientes.

A lógica é a de que, quanto mais o trabalhador se sentir motivado, maior será sua produtividade na empresa. E, se ele estiver contente com o sindicato, continuará como associado.

“Estamos falando do mesmo cliente para os dois lados. As duas organizações têm de trabalhar bastante e tratar muito bem esse cliente, pela via do entendimento”, comentou.

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